O presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou como “muito grave” a suposta interferência no processo eleitoral registrada em diferentes municípios brasileiros neste domingo (25), apontando a falta de transporte público adequado para os eleitores como um reflexo de tentativas de manipulação.
Acusação de crime eleitoral
Durante a chegada ao Hotel Intercontinental, na região dos Jardins, em São Paulo, onde a coligação aguardava a apuração do segundo turno, o dirigente criticou duramente a gestão das frotas em capitais como São Paulo e Salvador. Segundo ele, a situação caracteriza descumprimento da legislação e afeta diretamente a parcela da população que mais depende do sistema público.
“É grave o que aconteceu em relação ao transporte no Brasil inteiro. Aqui em São Paulo e na Bahia está caracterizado descumprimento da legislação. Nos outros estados estamos apurando ainda. Mas São Paulo e Bahia descumpriram a legislação. O que é grave, porque quem precisa de transporte público, as pesquisas mostram, é o nosso eleitorado. Isso significa interferir diretamente no processo eleitoral. Só reafirma aquilo que nós enfrentamos a eleição inteira: manipulação das big techs. Na reta final, infelizmente, a gente constata isso”, declarou.
Ao comentar a atuação de Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo e de Bruno Soares Reis (União Brasil) em Salvador, o dirigente afirmou que as autoridades municipais cometeram crimes e devem ser responsabilizadas conforme a legislação eleitoral.
“A lei existe para ser cumprida. Quando a legislação estabelece a garantia de direito de transporte ao eleitor, penso que ela deve ser cumprida. Quem descumpre a lei está cometendo um crime e está interferindo no processo eleitoral”, disse.
Prorrogação do horário de votação pelo STF
Diante dos relatos de terminais lotados, garagens cheias e coletivos parados em meio à chuva, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h em todo o país. A medida ocorreu após petição protocolada pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitando extensão em ao menos nove estados.
Paralelamente, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também requereu a ampliação do horário em cidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul afetadas por fortes chuvas e pela cheia do rio Uruguai.
Transtornos para os eleitores nas zonas eleitorais
Na capital paulista, passageiros relataram esperas de até três horas em locais como o Terminal Varginha, no extremo sul. No Terminal Santana e na Vila Zilda, na Zona Norte, moradores enfrentaram filas sob chuva e registraram ônibus parados sem prestar serviço, situação que levou voluntários a oferecerem caronas improvisadas na região.
“Quando chegamos próximos ao Terminal Santana, vimos muitas filas e ônibus parados, sem prestar serviço. Passamos por volta das 14h30”, relatou à reportagem um motorista que tentou ajudar eleitores.
O episódio gerou repercussão entre lideranças políticas e impulsionou debates sobre a fiscalização das ordens judiciais que exigiam frotas equivalentes às de dias úteis durante o domingo de votação.






