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Flávio Bolsonaro: trajetória, candidatura à Presidência e investigações da PF

Flávio Bolsonaro: trajetória do filho de Bolsonaro, candidato à Presidência e investigado pela PF

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desponta como o principal nome do bolsonarismo na corrida ao Palácio do Planalto, liderando a preferência do eleitorado no primeiro turno à frente do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe, o parlamentar tenta se consolidar como sucessor político da família enquanto lida com investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre supostos atos de corrupção.

Ascensão política e laços familiares Aos 45 anos, formado em direito e cumprindo seu primeiro mandato como senador pelo Rio de Janeiro, Flávio iniciou sua trajetória institucional muito jovem, aos 21 anos, quando eleito deputado estadual. Após quatro mandatos na Assembleia Legislativa fluminense e uma tentativa frustrada de chegar à Prefeitura do Rio em 2016, conquistou uma vaga no Senado Federal em 2018 com mais de quatro milhões de sufrágios.

Durante os anos em que seu pai ocupou a Presidência, o parlamentar presidiu a Comissão de Segurança Pública, embora tenha tido produção legislativa enxuta, com apenas dois projetos transformados em lei e nenhum focado na pauta de segurança. Nesse mesmo intervalo, sua declaração de bens saltou de R$ 1,7 milhão para R$ 8,1 milhões.

O protagonismo político do senador cresceu após a condenação do pai no Supremo Tribunal Federal (STF), momento em que assumiu papel central na interlocução e na defesa jurídica de Jair Bolsonaro. A definição de seu nome para a disputa presidencial ocorreu no final de 2025, por ordem direta do ex-presidente, superando concorrentes internos como o governador paulista Tarcísio de Freitas, seu irmão Eduardo Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

“É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”, disse Flávio à época.

A escolha provocou atritos públicos no clã, marcados por declarações contundentes de Michelle Bolsonaro sobre conflitos familiares. Mesmo com a resistência de alas do Partido Liberal e o distanciamento da madrasta durante a campanha, o candidato seguiu firme na disputa.

Polêmica sobre o financiamento do filme “Dark Horse” Poucos meses após o lançamento de sua pré-candidatura, reportagens revelaram tratativas entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para injetar R$ 130 milhões na cinebiografia “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. Documentos obtidos por órgãos de imprensa comprovaram repasses efetivos de R$ 61 milhões por meio de fundos internacionais e intermediários ligados ao empresário.

O episódio foi marcado por versões divergentes do candidato. Inicialmente, o parlamentar refutou a participação financeira de Vorcaro e classificou as apurações como perseguição política. Posteriormente, admitiu as tratativas de captação de recursos, mas negou irregularidades.

“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. […] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?”, disse Flávio em uma das conversas.

Em entrevistas concedidas a veículos de comunicação, o senador justificou o silêncio inicial com base em acordos de sigilo.

“Eu não falei que era mentira. Tenho contrato de confidencialidade. Estou falando disso agora porque veio à tona, não tem mais como negar”, disse.

Ademais, após negar inicialmente qualquer vínculo social com o banqueiro, veio à tona que Flávio utilizou uma aeronave ligada a Vorcaro para retornar dos Estados Unidos ao Brasil em janeiro de 2025. O político alegou desconhecer a composição societária do jato e afirmou ter embarcado a convite do advogado Willer Tomaz, proprietário de uma das cotas do avião.

“Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, declarou.

Controvérsias financeiras e investigações da Polícia Federal As apurações da Polícia Federal também apontam que o senador foi cadastrado como usuário master em uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings, pertencente ao advogado Willer Tomaz. Para os investigadores, a prerrogativa conferia acesso operacional relevante à movimentação financeira, sugerindo possível participação societária oculta. Ambos negam relações comerciais conjuntas.

Outro foco de apuração recai sobre o destino de uma emenda parlamentar no valor de quase R$ 200 mil, direcionada a um projeto esportivo a pedido de Robson Calixto, o “Peixe”, ex-policial militar condenado por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco. Mensagens recuperadas pela PF indicam articulações diretas entre o miliciano e uma secretária parlamentar lotada no gabinete do senador no Senado.

Esquema da “rachadinha” e histórico judicial A trajetória do candidato também carrega o peso das acusações relativas ao esquema conhecido como “rachadinha”, investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Entre 2007 e 2018, enquanto exercia mandato na Assembleia Legislativa fluminense, o parlamentar foi acusado de chefiar uma organização criminosa que recolhia parte dos salários de assessores com a ajuda de Fabrício Queiroz.

Segundo a denúncia formalizada em 2020, dezenas de funcionários repassavam valores das remunerações para o grupo. Contudo, o processo criminal não chegou ao julgamento de mérito após decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do STF que anularam provas cruciais, incluindo quebras de sigilo bancário e fiscal, culminando na rejeição da denúncia por falta de justa causa em 2022. Em 2023, o Ministério Público abriu uma ação cível por improbidade administrativa baseada em desdobramentos do mesmo caso, focando na conduta dos assessores do gabinete.

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