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Caos em eleições de SP após decisão do STF estender horário de votação

Após STF prorrogar votação, mesários não recebem orientação e parte das escolas são fechadas em SP; eleitores podem ficar sem votar

Zonas eleitorais da capital paulista enfrentaram momentos de confusão e desorientação neste domingo (25), após o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a prorrogação do horário de votação até as 19h. O improviso gerou o encerramento prematuro de atividades em algumas unidades, onde urnas já tinham sido recolhidas e cabines desmontadas antes que os responsáveis recebessem novas diretrizes.

Relatos de confusão e escolas fechadas

No Colégio Fidelino de Figueiredo, situado na Rua Imaculada Conceição, no bairro de Santa Cecília, a rotina foi interrompida logo após o horário originalmente previsto. Uma mesária relatou que a instrução inicial era encerrar os trabalhos às 17h, o que levou ao fechamento de todas as seções e à retenção dos colaboradores no aguardo de respostas do cartório eleitoral.

“Nós tínhamos visto, nós, mesários, as informações na internet e aguardamos até las 17h. Quando deu 17h, perguntamos, e a pessoa responsável por aqui falou: ‘Fechou, fechou’. E orientou para que todos fechassem [as urnas]”, relatou a mesária. Ela acrescentou que o grupo ficou isolado sem saber se ainda havia cidadãos aptos a participar do pleito. “Não estão deixando ninguém sair. Mas não dá para saber se há eleitores para votar, porque estamos trancados no colégio”, disse.

Em outra unidade de ensino, na Universidade Anhembi Morumbi, localizada na Mooca, a votação prosseguiu, embora uma urna já estivesse fechada. A orientação repassada pelo cartório eleitoral determinava que, caso votantes chegassem após o fechamento de uma seção específica, a intenção de sufrágio deveria ser registrada em ata, mantendo os documentos sem guardar nos envelopes até nova ordem.

Panorama das unidades afetadas

Até as 18h, o cenário nas escolas da capital e região metropolitana divergia entre o encerramento indevido e a manutenção dos portões abertos. Entre os locais que tiveram paralisações ou fechamentos estavam o Colégio Benjamin Constant, a Escola Shinquichi Agari (Zona Leste), a EM Cacilda Backer (Zona Sul), a EE Dep. Geraldino de Santos, a Universidade Presfiriana Mackenzie, a Escola José Borges Andrade (Zona Leste), a EE Estadual Luzia de Queiroz Oliveira (Zona Leste) e a EMEI Francisca Julia da Silva (Zona Sul). Por outro lado, instituições como a Pontifícia Universidade Católica de SP (PUC-SP) e a EE Aroldo Azevedo, em Sapopemba, mantiveram o atendimento.

A decisão do Supremo Tribunal Federal

A mudança repentina nas regras ocorreu após um pedido protocolado pela coligação do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que solicitou a ampliação do tempo de votação em localidades afetadas por falhas no sistema de transporte público. Na sequência, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com pleito semelhante para municípios de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Embora a petição inicial abrangesse cidades de pelo menos nove estados, o ministro Zanin optou por uma medida de abrangência nacional, estendendo o recebimento de sufrágios por duas horas em todo o país, com encerramento às 19h no horário de Brasília. Com a determinação, o processo de totalização dos votos, que já havia iniciado, precisou ser paralisado.

“Considerando a gravidade dos fatos narrados, que chegaram ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal em 16:32:49, da data de hoje, e diante da urgência evidente na medida, determino prorrogação por duas horas, até às 19h, horário de Brasília, do encerramento do recebimento dos votos em todas as seções de todo o Brasil, cabendo ao TSE dar cumprimento”, escreveu o magistrado na ordem oficial.

Até o fechamento desta apuração, não havia dados oficiais consolidados sobre a quantidade exata de eleitores que possam ter perdido o direito ao voto devido ao fechamento antecipado de seções relatado pelos mesários.

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