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Fadiga de alertas: por que o excesso de notificações enfraquece a defesa civil

Por que o excesso de alertas por celular enfraquece Defesa Civil

O fenômeno da fadiga de alertas e a decisão de alguns cidadãos de silenciar avisos de emergência no celular revelam um desafio complexo para os órgãos de proteção e defesa civil no Brasil.

O desafio do “desligamento cognitivo”

O avanço tecnológico permitiu que o sistema Defesa Civil Alerta utilize as redes de telefonia para enviar mensagens diretamente para dispositivos compatíveis com 4G e 5G em áreas de risco, sem exigir cadastro prévio. No entanto, alcançar mais pessoas não garante mudanças de comportamento.

Um estudo publicado em 2025 avaliou que a frequência inadequada, a falta de relevância e o conteúdo impreciso das mensagens geram dessensibilização e o desejo de ignorar os avisos. Embora o nível extremo emitidos pelo sistema acione o celular mesmo no modo silencioso e não possa ser desativado pelo usuário, nenhuma tecnologia obriga o cidadão a confiar no aviso. Isso provoca o chamado “desligamento cognitivo”, no qual o alarme toca, mas o receptor deixa de prestar atenção proporcional ao perigo.

Qualidade versus quantidade na comunicação de riscos

Entre dezembro de 2024 e março de 2026, a ferramenta enviou mais de 2,1 mil avisos. Esse crescimento rápido evidencia a necessidade de monitorar a efetividade das mensagens, avaliando se o público compreendeu as orientações e se o perigo estava realmente próximo.

Mensagens genéricas ou repetidas sem clareza sobre o que fazer reduzem a credibilidade do sistema. A diretriz ideal deve ser direta e orientativa: “Há risco de chuva intensa”, informa. “Evite determinada avenida nas próximas duas horas por risco de inundação”, orienta. “Moradores de uma área específica devem se dirigir a um ponto seguro”, indica uma ação.

Preparação humana além da tecnologia

A iniciativa internacional Early Warnings for All destaca que a tecnologia representa apenas a etapa final de uma cadeia que exige conhecimento do risco, monitoramento e forte preparação comunitária. Uma mensagem de alerta perde o sentido se a população desconhece as rotas de fuga ou os abrigos locais.

Para reverter o desgaste, o Brasil precisa ir além do painel que monitora dados quantitativos de notificações. É fundamental medir a compreensão pública, a percepção de relevância e a confiança na instituição emissora por meio de pesquisas e exercícios simulados.

Em última análise, ferramentas digitais salvam vidas apenas quando são compreendidas e geram reações imediatas, provando que o maior desafio atual da defesa civil é puramente humano e comportamental.

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