Dezenas de páginas no Facebook foram identificadas publicando anúncios políticos pagos com acusações sem comprovação contra opositores e o movimento estudantil nas semanas anteriores à eleição parlamentar antecipada na Sérvia. O material não informava quem o havia financiado, descumprindo as políticas da Meta.
Financiamento estrangeiro e perfis falsos
Entre meados de setembro e meados de outubro, 56 páginas publicaram pelo menos 90 anúncios nas plataformas da empresa, que acabou removendo 47 deles. Embora a legislação sérvia proíba recursos externos em propaganda eleitoral, constatou-se que todas as campanhas foram pagas em moeda romena, o leu, somando ao menos 29.437 lei (cerca de R$ 30 mil). Três anúncios foram diretamente custeados por uma empresa da Romênia.
As páginas exibiam nomes distantes da política, como “Perfume do Quintal da Vovó” e “Assuntos para o Café”, com fotos geradas por inteligência artificial. No total, foram mais de 800 vídeos curtos disparados contra candidatos da oposição. Embora os perfis tivessem poucos seguidores, o impulsionamento financeiro garantiu milhões de visualizações.
Uso de inteligência artificial e ataques
Os conteúdos utilizavam rostos reais de apresentadores da Romênia — que negaram autorização para o uso de suas imagens —, mas contavam com vozes e gestos artificiais criados por IA. Um dos vídeos falsos atacava o reitor da Universidade de Belgrado, Vladan Đokić, associando-o a uma viagem fictícia ao Rio de Janeiro com cédulas de dinheiro. Outras publicações visavam lideranças estudantis e minorias religiosas.
Especialistas reforçam a eficácia da estratégia. “Ao pagar por anúncios, você alcança uma audiência muito mais ampla do que com conteúdo orgânico”, explica Sam Jeffers, fundador do grupo de monitoramento Who Targets Me.
Posicionamento da Meta e impacto legal
Um porta-voz da Meta afirmou que “anunciantes que desejam veicular conteúdos sobre questões sociais, eleições ou política precisam passar por um processo de autorização e informar quem pagou pelo anúncio”. A empresa retirou os materiais por falta de identificação oficial.
A investigação também revelou conexões com a empresa romena Bmobile SRL e com o político Victor Ponta. Na Sérvia, a Agência Anticorrupção confirmou a abertura de investigações sobre campanhas de terceiros não registradas, enquanto o pleito ocorre em meio a forte polarização política após tragédias recentes no país.






