Uma moradora do litoral de São Paulo registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal após encontrar um forte hematoma roxo no rosto de seu filho, de apenas dois anos, que frequenta uma creche municipal em Praia Grande. O caso aconteceu na Escola Municipal Esmeralda dos Santos Novaes, situada no bairro Jardim Quietude, e mobilizou tanto a Secretaria Municipal de Educação quanto as autoridades policiais.
Notificação via WhatsApp e divergência na versão da escola De acordo com o relato da responsável, o aviso sobre o machucado foi enviado por mensagem cerca de 60 minutos após ela ter deixado a criança na instituição de ensino. No entanto, o texto enviado pela equipe escolar tentava transferir a responsabilidade para a família.
“Tentaram insinuar que o roxinho veio de casa, mas eu falei: ‘Pode puxar as câmeras, meu filho foi com o rostinho limpo’. Daí acionaram a Secretaria de Educação”, afirmou.
Afastamento e falta de respostas claras da prefeitura Dois dias após o incidente, a mãe participou de uma reunião com representantes da pasta da educação e foi informada sobre o afastamento preventivo de uma funcionária da sala de aula. Contudo, a falta de transparência sobre a dinâmica do ocorrido continua gerando angústia.
“Eles não me passam o que ocorreu de verdade com meu filho, não me passam o porquê ela vai responder”, lamentou a mãe.
A mulher também expressou preocupação com a possibilidade de a profissional ser realocada para outra unidade da rede pública de ensino, o que colocaria outras crianças em risco. “Algo grave aconteceu para um funcionário ser excluído da escola”, disse.
Histórico de marcas e sumiço de registros oficiais A familiar relatou que esta não é a primeira situação preocupante desde que o menino ingressou na creche, há seis meses. Anteriormente, ela precisou assinar diversos termos referentes a marcas de mordidas pelo corpo da criança.
Embora a direção escolar justificasse os ferimentos anteriores como quedas ou disputas entre alunos por brinquedos, a mãe descobriu uma irregularidade durante o encontro com a Secretaria de Educação: nenhum dos episódios anteriores constava no caderno de ocorrências da escola.
“Foram diversas ocorrências e não acharam nenhuma. “Então, falaram que vão apurar o desaparecimento das ocorrências do meu filho no caderno e também as imagens da cuidadora”, afirmou.
Mudança de comportamento e investigação policial O comportamento recente da criança também acendeu o alerta da família, já que o menino passou a apresentar forte resistência e choro na entrada da sala de aula.
“Eu desconfio que ela [funcionária afastada] tenha tampado a boca dele, algo do tipo, pois negaram que ele ter apresentado qualquer reação [ou] choro. Por isso eu preciso saber a verdade”, disse.
A Prefeitura de Praia Grande declarou, por meio de nota oficial, que a Secretaria de Educação apura os fatos e reafirmou seu compromisso com a segurança e integridade física e emocional dos estudantes. O caso foi formalmente registrado no 1º Distrito Policial da cidade, enquanto a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ainda não se pronunciou sobre o andamento das investigações.






