Uma moradora de 37 anos procurou a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência por suspeita de erro médico no Hospital Santo Amaro, localizado em Guarujá, no litoral de São Paulo. A gestante deu à luz um bebê natimorto na madrugada da última terça-feira (20) e, após o procedimento, precisou passar pela retirada do útero.
Acompanhamento de alto risco e liberação Grávida de oito meses e diagnosticada com hipertensão arterial crônica, Ana Paula Cruz Santos passou por uma consulta de pré-natal de alto risco na Casa Rosa no dia anterior ao parto. Apresentando pressão arterial em 17, ela foi direcionada pela unidade médica para o Hospital Santo Amaro.
Conforme o depoimento da paciente, a médica de plantão escutou os batimentos cardíacos do feto e aplicou um medicamento intravenoso para conter as cólicas. A equipe médica pediu exames laboratoriais de sangue e urina, além de programar uma ultrassonografia para a manhã seguinte, visto que o exame não estava disponível naquele horário. Após essas etapas, ela recebeu alta e voltou para casa.
Retorno à unidade de saúde e ausência de batimentos As dores intensificaram-se após o retorno ao domicílio, o que motivou a volta da gestante ao hospital por volta das 19h, acompanhada por sua mãe. No segundo atendimento, o médico plantonista utilizou o sonar para verificar a condição do feto, mas não obteve sucesso em captar os batimentos cardíacos. Enquanto aguardava os exames e procedimentos, a mulher relatou que as fortes dores persistiram.
“Ele colocou o aparelho na minha barriga e não escutou o coração do neném. […] O que ele tinha que ter feito de imediato era uma cesárea de emergência”, disse ela.
Cesárea de emergência e histerectomia Durante a madrugada, por volta das 3h, a paciente começou a sangrar ao tentar se dirigir ao banheiro. Somente nesse momento foi encaminhada para realizar uma cesariana de urgência, mas a criança já nasceu sem vida.
Em decorrência de uma grave hemorragia, a paciente precisou passar por transfusões de sangue e teve o útero removido cirurgicamente, o que retira definitivamente a sua capacidade de gestação futura.
O impacto emocional e a investigação policial A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a ocorrência foi registrada na Delegacia de Polícia de Guarujá como morte natural, e exames periciais foram solicitados ao Instituto Médico Legal para esclarecer o ocorrido. O Hospital Santo Amaro não se manifestou sobre as acusações até o momento.
“Eu não tô conseguindo processar tudo isso, acabou para mim. Quem me conhece sabe que o sonho da minha vida era ser mãe. Está doendo demais o que fizeram comigo. Eu não vou poder ter filho mais e mataram meu filho”, disse.
Enfrentando o luto e as sequelas físicas da cirurgia, a mãe desabafou sobre a dor da perda e a frustração de não poder mais realizar o sonho da maternidade.
“Meu peito enche de leite e eu não tenho filho para amamentar. Eu sinto o meu bebê mexer lá dentro, mas não tem bebê nenhum. Eu fiz uma cesárea e não tenho criança. Eles acabaram com o sonho da minha vida inteira de ter um filho”, afirmou.






