Milhares de estudantes e integrantes do movimento conhecido como coletes amarelos tomaram as ruas de diversas cidades francesas neste sábado (24). A mobilização ocorreu sob alta tensão e forte esquema de vigilância, imposto após os graves confrontos registrados exatamente uma semana antes.
Operação de segurança em larga escala
Para evitar novas cenas de caos que repercutiram internacionalmente, o governo do presidente Emmanuel Macron mobilizou um enorme aparato de segurança. Na véspera, o ministro do Interior detalhou a estratégia:
“Seremos intransigentes”, declarou Nuñez ao anunciar o dispositivo policial: 70.000 agentes, unidades de elite da polícia e soldados da missão de vigilância Sentinelle, assim como blindados da gendarmaria, helicópteros e outros.
Em Lyon, a polícia usou gás lacrimogêneo pela manhã para dispersar um grupo de cerca de 150 pessoas que tentava interromper o tráfego em uma área onde concentrações haviam sido banidas. Apesar disso, o balanço inicial indicou prisões e apreensões expressivas.
Até o momento “não houve incidentes significativos”, afirmou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, informando que um total de 135 pessoas foram presas e foram apreendidos objetos como bolas de metal, fogos de artifício e até mesmo uma catana.
Restrições e revolta estudantil
As autoridades justificaram as medidas duras culpando pequenos grupos de extrema esquerda e vândalos oportunistas pelos saques e depredações recentes. Como resposta, toques de recolher noturnos foram aplicados em bairros periféricos e atos públicos passaram a exigir autorização prévia de entidades consideradas legítimas pelo Palácio do Eliseu.
Na capital, a marcha autorizada contra o custo de vida teve o trajeto alterado de última hora, saindo da Praça da Bastilha para uma região periférica. A mudança gerou forte indignação entre os organizadores do movimento estudantil.
“Em que país estamos, onde o poder decide quem pode se manifestar e onde? É escandaloso”, disse Ryad Rani, líder da União Sindical de Estudantes do Ensino Médio, antes da manifestação.
Comércios locais instalaram proteções de madeira nas vitrines, enquanto pontos turísticos e culturais importantes, incluindo o Museu do Louvre e a Ópera de Paris, fecharam as portas preventivamente. Paralelamente, o Conselho da Europa pediu moderação e prioridade à desescalada policial nos países afetados por manifestações.
O cenário político permanece altamente polarizado, com os coletes amarelos já articulando novas manifestações contra o que chamam de guinada autoritária, enquanto o partido de extrema direita Reagrupamento Nacional realiza seu congresso em Orléans sob forte esquema de segurança, a poucos meses da próxima eleição presidencial.






