O governo da França colocou 70 mil policiais e agentes da gendarmaria nas ruas para conter possíveis distúrbios durante os protestos previstos para este sábado, 24. A megaoperação de segurança conta com veículos blindados, canhões de água e unidades especializadas, em uma tentativa de evitar novos episódios de violência como os registrados no fim de semana anterior.
Alterações de rotas e impasses em Paris Na capital francesa, a polícia determinou na sexta-feira a mudança no trajeto da manifestação que tradicionalmente liga as praças da Bastilha e da Nação. A nova rota planejada pelas autoridades passa pelos bulevares do sudeste com o objetivo de prevenir confrontos diretos.
Em contrapartida, os organizadores do ato rejeitaram a alteração sob o argumento de que o desvio compromete a segurança e gera desordem, anunciando a intenção de manter o percurso original e acionando a Justiça por meio de sindicatos. A inteligência policial estima a presença de 60 mil a 120 mil pessoas em Paris, com a identificação de até 600 ativistas com potencial violento.
Efetivo e medidas de restrição O efetivo mobilizado supera o do dia 17 de outubro, quando 60 mil agentes atuaram após 3 mil estabelecimentos serem danificados ou saqueados. No entanto, o número fica abaixo dos 80 mil empregados no movimento Bloquons tout em setembro de 2025 e dos 89 mil vistos no auge dos coletes amarelos em dezembro de 2018.
Diante do cenário de tensão, o Ministério do Interior ordenou fiscalizações rigorosas em vias de transporte e estações ferroviárias. A pasta também sugeriu a suspensão de serviços de transporte e restrições de circulação para indivíduos apontados como ameaças à ordem pública. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou planos de apoio à reconstrução e medidas para a educação em Limoges, onde a prefeitura histórica foi destruída. Paralelamente, o presidente Emmanuel Macron recebeu estudantes e prometeu reformas no sistema de acesso universitário, embora sindicatos exijam um aporte de 10 bilhões de euros para a área.
Cenário em outras regiões do país Em Lyon, onde entre 150 e 200 comércios foram alvos de saques na região da Presqu’île, autoridades e comerciantes contrataram 40 seguranças privados e proibiram atos no centro comercial, restrição que também gerou protestos de sindicatos em Bordeaux. Marselha alterou o trajeto de sua marcha para proteger áreas comerciais, enquanto Toulouse, Limoges e Saint-Étienne impuseram toques de recolher.
Em Orléans, a expectativa é de 20 mil a 30 mil manifestantes contra o congresso do partido de direita Reunião Nacional, mobilizando cerca de 3 mil agentes em rotas afastadas da zona histórica.
Ataque em Trappes A tensão no país foi agravada por um atentado ocorrido na sexta-feira, 23, em Trappes, na região metropolitana de Paris. Um atirador de 39 anos disparou uma arma automática de dentro de um carro contra um posto de gasolina, um centro médico e um parquinho, matando uma pessoa e ferindo outras quatro, incluindo uma menina de 12 anos. As investigações apontam indícios de motivação motivada por ódio islamofóbico.
O presidente Emmanuel Macron tratou o caso como terrorismo racista e destacou que o atirador escolheu os alvos com base na religião e na cor da pele das vítimas. “O que aconteceu hoje marca um ponto de virada para a República e para o nosso país”, declarou.






