Home / Brasil / Manaus avança no saneamento e busca universalizar esgoto até 2033

Manaus avança no saneamento e busca universalizar esgoto até 2033

Do acesso à água à recuperação dos igarapés: o passado e o futuro do saneamento em Manaus

O saneamento básico em Manaus passou por transformações profundas ao longo de mais de um século, evoluindo desde as primeiras iniciativas de abastecimento até alcançar a marca de mais de 99% da população com água tratada em 2026, embora a expansão do tratamento de esgoto e a despoluição dos igarapés ainda representem grandes obstáculos para o futuro da capital amazonense.

Histórico e evolução do abastecimento As discussões sobre água e esgoto na região começaram no século XIX. Documentos da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama) mostram que a área da Cachoeira Grande foi escolhida em 1889 para suprir a cidade. Naquela época, os igarapés faziam parte da rotina dos moradores para lazer e trabalho. Em 1906, a Manaós Improvements tentou implementar uma rede de esgoto para 60 mil habitantes, mas o projeto falhou em conectar os imóveis. Décadas mais tarde, a criação da Cosama nos anos 1960 tentou reorganizar o setor frente a uma expansão urbana acelerada.

Soluções adaptadas para becos e palafitas A chegada da concessionária Águas de Manaus em 2018 revelou cerca de 200 mil pessoas sem água tratada, exigindo engenharia adaptada à geografia local, especialmente em áreas de palafitas. Nesses locais, as redes de água e esgoto acompanham a movimentação dos rios e são instaladas de forma manual para evitar danos estruturais às moradias.

“Uma coisa que a gente aprendeu é que a nossa rede de água fica ancorada nas passarelas das palafitas. Porque, como a palafita se adapta ao nível do rio, o nosso sistema também tem que se adaptar. Então, todo ano, quando o nível do rio sobe, as passarelas sobem e a nossa rede também sobe. Quando a água do rio desce, as desce e a nossa rede também desce”, explicou Pedro Augusto Freitas, diretor-presidente da concessionária.

Impacto social e tecnologia no monitoramento Além da infraestrutura, a expansão gerou efeitos sociais inesperados, como a utilização da conta de água como primeiro comprovante de endereço para famílias vulneráveis. A empresa também adotou inovação tecnológica, utilizando análise por satélite e inteligência artificial para identificar vazamentos subterrâneos, reduzindo o índice de perdas de água de 75% em 2018 para 45% em 2026.

Metas rumo a 2033 e a recuperação ambiental Enquanto o abastecimento de água está praticamente universalizado, a coleta e o tratamento de esgoto subiram de 16% em 2018 para cerca de 42% em 2026. O programa Trata Bem Manaus lidera as frentes para atingir os 90% exigidos pelo Marco Legal até 2033, utilizando pequenas estações descentralizadas para contornar as dificuldades do relevo urbano.

O objetivo final do processo de universalização é devolver à população os cursos d’água limpos, permitindo a revitalização dos tradicionais balneários urbanos e garantindo dignidade ambiental e sanitária para todos os habitantes da capital.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *