A cidade de Trabiju, localizada no interior de São Paulo, chamou a atenção do cenário nacional após registrar um empate exato entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial. Com 1.682 habitantes, segundo o Censo Demográfico do IBGE, e 1.649 eleitores aptos pela Justiça Eleitoral, o município se consolidou como a menor cidade entre os 42 territórios de cobertura regional. Os dois candidatos conquistaram 574 votos cada, o equivalente a 46,18% dos sufrágios válidos, conforme as estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Casal em lados opostos e divergências no lar
O cenário de intensa polarização política repercutiu diretamente dentro dos lares locais. É o caso da vendedora Geisica Correia dos Santos Jesus, de 35 anos, que divide a residência com um marido que apoia o adversário político na corrida ao Palácio do Planalto.
“Pensamentos diferentes têm até mesmo no meu lar. Eu voto em um [candidato], meu esposo em outro”, complementou a moradora.
Apesar das opiniões divergentes, ela garantiu que o clima de respeito prevalece e que a convivência familiar não é afetada. “No meu caso, para mim, não muda nada, mas já presenciei vários debates do pessoal por causa de política. A cidade está bem dividida.”
A munícipe acrescentou que ambos assistiram juntos aos debates televisivos e reforçou: “A gente se respeita. […] Algumas coisas não concordamos, mas é só isso e nada mais.”
O fenômeno do voto escondido na cidade
Enquanto alguns debatem abertamente, outros preferem adotar a cautela para evitar conflitos com parentes e conhecidos. A balanceira Aline Aparecida Alves Amorim, de 35 anos, relatou que prefere manter sua escolha totalmente em sigilo devido a discussões que já presenciou na rede familiar.
“Meu voto a família não sabe. Política e religião não se discute”, complementou.
Para ela, a tolerância deve prevalecer acima das disputas partidárias. “Devemos saber conversar e resolver [os pensamentos diferentes], pois temos que trabalhar do mesmo jeito.”
Mobilização digital e tentativa de virar votos
Por outro lado, há quem invista tempo na tentativa de convencer eleitores indecisos ou simpatizantes da oposição. O porteiro Fabio Rogério Pinheiro, de 46 anos, admitiu que intensificou a campanha na internet e no dia a dia para tentar alterar o panorama eleitoral do município.
“A gente tenta trabalhar para seguirem o nosso pensamento, mas brigar não. Eu tentei convencer algumas pessoas, sim, a votar no meu candidato. As pessoas levando numa boa, sabe? Um respeitando o outro e a gente sabe o limite que a gente pode chegar pedindo voto para o nosso candidato”, explicou.
O morador também confessou o espanto coletivo ao conferirem os boletins de urna. “Ficamos surpresos quando foram apuradas as urnas, né? Então, para nós, moradores de Trabiju, foi uma surpresa Flávio e Lula terem empatado, 574 votos cada um”, concluiu.
Cenário nacional de empates nas urnas
O fenômeno de igualdade numérica na preferência dos eleitores não ocorreu exclusivamente no território paulista. Apenas duas cidades brasileiras registraram o exato mesmo patamar de votos para os dois principais nomes da disputa presidencial no primeiro turno: Trabiju (SP) e Crixás do Tocantins (TO).
No município goiano, que computou 1.422 eleitores presentes, Lula e Flávio Bolsonaro obtiveram 679 votos cada um, alcançando 47,75% dos votos válidos. O pleito em Crixás registrou 37 nulos, 7 brancos e 361 abstenções, além de votos distribuídos para outros nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Samara Martins (UP).
Em Trabiju, além dos empates na liderança, os votantes locais dividiram o restante dos sufrágios entre Augusto Cury (39), Renan Santos (31), Ronaldo Caiado (21), enquanto Samara Martins, Romeu Zema (Novo), Edmilson Costa (PCB) e Wilson Grassi (Democrata) pontuaram com um voto cada, em um contexto que ainda contabilizou 35 nulos, 27 brancos e 344 abstenções.






