Dona de uma personalidade expansiva e dedicada às pessoas próximas, a vendedora Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, teve a vida interrompida de forma brutal. Conhecida carinhosamente como Bia, ela foi localizada sem vida em uma região de mata em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, após permanecer desaparecida por 12 dias.
Convivência marcada pelo afeto e lembranças de alegria
Quem convivia com Beatriz destaca a atenção constante que ela dedicava aos amigos e parentes. No dia a dia, a jovem tinha o hábito de enviar mensagens de áudio para acompanhar a rotina daqueles que amava e fazia questão de demonstrar afeto nos pequenos detalhes.
A amiga e empreendedora Andreza Nayad Moreira relembra que Bia sempre elogiava sua aparência e tentava manter o ânimo de todos ao redor em alta. “Ela era muito amiga, muito parceira”, afirmou.
O irmão da vendedora, Maxuel, também guarda na memória momentos felizes ao lado dela, marcados por cantoria, descontração e acolhimento mútuo. “Minha irmã era uma pessoa muito extrovertida, alegre”, contou. “Toda vez que a gente precisava dela, a gente podia contar com ela.”
A mãe da vítima, Marisa Pereira Neves, que criou três filhas sem apoio paterno, lamentou a perda precoce da filha com quem dividia brincadeiras e conversas diárias. “Minha filha era só alegria. Eu perdi assim uma parceira, uma companheira, um anjo do meu lado”, disse.
Suspeita de gravidez e investigação de feminicídio
Antes de sumir, Beatriz relatou a parentes que desconfiava de uma possível gestação. A mãe garantiu que daria todo o suporte caso a notícia se confirmasse. “Eu não importaria de criar o neto também. Ele ia ser muito bem recebido”, afirmou.
A ocorrência de gravidez ainda não foi confirmada oficialmente e depende do resultado de laudos elaborados pelo Instituto Médico-Legal (IML).
O caso é tratado pelas autoridades policiais como feminicídio premeditado. As apurações apontam como principais suspeitos o ex-namorado da vítima, Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual companheira dele, Carla Luza da Silva, de 23 anos. A Justiça determinou a conversão da detenção temporária de ambos em prisão preventiva.
Buscas intensas e ocultação de cadáver
O paradeiro de Beatriz tornou-se desconhecido no dia 9 de outubro. Na ocasião, ela estava em um bar de Jaboticatubas na companhia de amigos quando recebeu um chamado e entrou em um veículo onde estavam o ex-companheiro, a namorada dele e uma garota de 15 anos.
O sumiço mobilizou a vizinhança e os familiares em uma força-tarefa contínua. A prima Mayra Eduarda Pereira de Souza relatou o desespero e a insistência do grupo durante o período em que tentavam encontrá-la. “Era de madrugada, era de dia, era de tarde. Toda hora eles saíam nas buscas”, relatou.
O desfecho ocorreu quando o corpo foi achado enterrado na localidade rural conhecida como Terra dos Portugueses. A adolescente de 15 anos, ouvida como testemunha, apontou aos policiais o local da cova, que, segundo a apuração, já havia sido aberta previamente à chegada do grupo.
Relatos de familiares apontam que a união entre a vítima e Samuel era conturbada e permeada por agressões. Enquanto as circunstâncias e a causa exata da morte seguem sob perícia técnica, a família clama por punição aos responsáveis. “A gente espera que a justiça seja feita, que não saiam impunes os autores”, afirmou Maxuel.






