O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), apontado como a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,32% em outubro de 2026. A divulgação foi realizada nesta sexta-feira (23.out.2026) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Desaceleração mensal e cenário acumulado
Esse patamar indica uma desaceleração de 0,38 ponto percentual frente ao mês anterior, setembro, período em que o indicador havia avançado 0,70%.
Mesmo com a trégua no índice mensal, o acumulado ao longo de 2026 atingiu 4,15%. Nos últimos 12 meses, a taxa chegou a 4,62%, ficando acima dos 4,47% contabilizados no intervalo imediatamente anterior.
Com esse patamar, a taxa acumulada em 12 meses acabou superando o teto de 4,5% da meta inflacionária definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em contrapartida, no mesmo mês de outubro de 2025, o indicador havia subido 0,18%.
Alimentação lidera pressões de consumo
Entre os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo instituto, oito apresentaram avanço de preços no período. O principal destaque veio de alimentação e bebidas, que marcou a maior variação, de 0,88%, e o impacto mais expressivo no índice geral, de 0,19 ponto percentual.
Essa alta demonstra que os produtos alimentícios foram responsáveis por aproximadamente 59% da inflação total apurada no mês. As demais categorias oscilaram entre um recuo de 0,10% em habitação e um acréscimo de 0,55% em despesas pessoais.
Queda na habitação e impacto da energia
O setor de habitação representou o único grupo com retração em outubro, caindo 0,10%, após ter exercido forte pressão sobre os custos em setembro devido ao encarecimento da energia elétrica nas residências.
O resultado negativo ajudou a conter o ritmo da inflação mensal, contrabalançando o peso exercido pela comida. Especificamente, a energia elétrica residencial diminuiu 0,89% em virtude da transição da bandeira tarifária amarela para a verde.
Metodologia e abrangência do IPCA-15
O levantamento do IPCA-15 monitora núcleos familiares que recebem de 1 a 40 salários mínimos, cobrindo 11 localidades: as regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além do Distrito Federal e de Goiânia.
O processo metodológico segue o mesmo padrão adotado no IPCA tradicional, diferenciando-se apenas pelo intervalo de tempo destinado à coleta dos preços e pela extensão geográfica.
O indicador funciona como um termômetro essencial para monitorar o comportamento do mercado antes da divulgação do índice oficial, utilizado pelo Banco Central para aferir o andamento das metas econômicas.






