O governo paraguaio formalizou nesta sexta-feira (23) sua entrada na Pax Silica, tornando-se o 26º país a assinar a aliança liderada pelos Estados Unidos para o desenvolvimento de infraestrutura de inteligência artificial e fortalecimento de cadeias de suprimentos tecnológicas.
Parceria bilateral em Washington
A adesão foi oficializada na sede do Departamento de Estado, na capital americana, pelo chanceler paraguaio Ramírez e pelo subsecretário americano para Assuntos Econômicos, Jacob Helberg.
“Os Estados Unidos e o Paraguai reafirmaram seu compromisso de aproveitar os minerais críticos e a energia hidrelétrica do Paraguai para construir infraestrutura de superinteligência nas Américas”, informou o Departamento de Estado, em tradução para o português.
Lançada em dezembro de 2025, a iniciativa abrange desde a extração mineral e fornecimento de energia até a fabricação de semicondutores e operação de centros de dados, visando reduzir vulnerabilidades a pressões externas.
Investimentos e recursos energéticos
Embora a assinatura abra portas para o uso de recursos naturais em tecnologia, nenhum repasse financeiro foi anunciado, e a nota oficial não detalhou prazos ou montantes para o país sul-americano.
Em março, o governo norte-americano sinalizou a intenção de articular junto ao Congresso um fundo de US$ 250 milhões voltado à Pax Silica globalmente, sem valores exclusivos destinados ao território paraguaio.
Infraestrutura de computação avançada
O movimento tecnológico coincide com o anúncio de uma colaboração entre a americana Crusoe e a paraguaia Araico para erguer uma estrutura de computação voltada à IA utilizando energia da hidrelétrica de Itaipu.
O cronograma da Crusoe aponta o início das operações para meados de 2027, com capacidade inicial projetada em 106 megawatts e potencial de expansão para 280 megawatts, atendendo mercados regionais e internacionais.
Segurança e geopolítica regional
Além da cooperação tecnológica e econômica, Assunção estreitou laços com Washington ao integrar o Escudo das Américas, uma aliança de segurança promovida pelo presidente Donald Trump contra o narcotráfico e o crime organizado.
Enquanto o Paraguai consolida sua posição estratégica nos dois frentes lideradas pelos Estados Unidos, o Brasil permanece fora tanto da iniciativa tecnológica quanto do bloco de segurança regional.






