O empresário e ex-governador de São Paulo João Doria (sem partido) anunciou nesta sexta-feira, 23, por meio de um vídeo divulgado em suas redes sociais, que votará no senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo, 25.
Rompimento anterior e virada política O apoio ao parlamentar ocorre quatro anos após Doria ter defendido o voto nulo no segundo turno da eleição de 2022, disputada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Durante a crise sanitária da covid-19, o político paulista consolidou-se como um dos principais adversários do então presidente, protagonizando intensas trocas de acusações públicas.
No vídeo publicado a dois dias do pleito, o ex-prefeito justificou sua decisão atual com base no aprendizado político. “Aprendi com a política. Nunca usei o ódio como arma em campanha. Divergir é parte da democracia. Ter visões diferentes consolida o processo democrático e a liberdade de pensar e agir”, disse Doria.
Críticas à gestão petista e perdão Segundo o ex-governador, a administração atual falhou em unir o país. Ele afirmou que Lula “perdeu a chance de governar o Brasil pacificando o país” e passou “quatro anos brigando” e “intimidando muitas pessoas”. “Quatro anos fazendo julgamento em vez de fazer gestão e administração do país”, criticou o empresário.
Além disso, Doria argumentou que o governo federal “estimulou o confronto entre pobres e ricos” e “apoiou extremistas contra o povo judeu”. “Insuflou o Brasil no Nordeste contra o Sul. O Brasil é um só, uma só nação e um só país”, afirmou.
“Eu aprendi, ao longo da vida política, a perdoar, a compreender e a olhar adiante. Por isso, neste domingo, o meu voto é para Flávio Bolsonaro, conscientemente, contra Lula e a favor do Brasil”, declarou Doria. O ex-chefe do Executivo estadual também destacou que Flávio Bolsonaro “teve a humildade de reconhecer a falha do seu pai, presidente Jair Bolsonaro, de não ter adotado a vacina e protegido os brasileiros durante a covid-19”.
Posição contrária à reeleição No mesmo pronunciamento, o ex-tucano mirou a regra da reeleição no país, instituída em 1997 durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Eu sou contra a reeleição, que é um mal para o Brasil. Flávio Bolsonaro acertadamente declarou, e espero que cumpra o seu compromisso, que enviará ao Congresso Nacional a proposta para terminar com a reeleição. Um único mandato”, pontuou.
“O Brasil precisa mudar e não pode se tornar território de um só partido, de uma só pessoa, de um só comando. A alternância de poder é positiva, saudável e democrática”, concluiu.
Histórico de divergências com o bolsonarismo A relação entre Doria e a família Bolsonaro passou por diferentes fases. No segundo turno de 2018, o paulista apoiou Jair Bolsonaro contra Fernando Haddad (PT), impulsionando o movimento conhecido como “bolsodoria” na disputa pelo governo de São Paulo.
O racha definitivo ocorreu entre 2020 e 2022, quando Doria implementou medidas rígidas de isolamento social e o lockdown em território paulista, alinhando-se às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). As restrições geraram ataques públicos de Jair Bolsonaro, enquanto Doria chegou a classificar o então presidente como “genocida”. No mesmo período, o governo federal criticava a CoronaVac, vacina desenvolvida pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.
Em 2022, Doria tentou viabilizar sua pré-candidatura à Presidência da República, mas perdeu apoio interno no PSDB, legenda que optou por não lançar nome próprio e apoiar Simone Tebet (então no MDB). Magoado, o político deixou o partido e adotou a neutralidade no segundo turno daquele ano, antes de selar a atual aproximação com o grupo político dos Bolsonaro.






