A Polícia Civil de São Paulo está apurando a morte de bebês no Hospital e Maternidade Salvalus, unidade pertencente à rede Hapvida NotreDame Intermédica localizada na capital paulista. As investigações sobre os óbitos ocorridos neste ano estão concentradas no 8º Distrito Policial (Brás), após comunicação oficial feita pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) na última quarta-feira (21).
Investigação policial e divergência de números
Enquanto os registros oficiais da pasta de segurança tratam de seis óbitos sob análise preliminar, a representação jurídica das famílias afetadas aponta um cenário muito mais abrangente. Documentos reunidos por advogados indicam que pelo menos 36 mães relatam a perda de seus filhos após atendimento na mesma instituição de saúde.
De acordo com a advogada Eduarda Fragnan Gomes, responsável pelo auxílio jurídico aos familiares, um grupo de apoio foi formado reunindo cerca de 36 relatos de perdas gestacionais e neonatais. Destes, 19 núcleos familiares já possuem assessoria jurídica direta com documentação organizada. A profissional também destacou que a repercussão pública do caso tem motivado novos registros de boletins de ocorrência em delegacias e a busca por reparações na justiça.
Suspeita de contaminação cruzada
O principal ponto levantado pela defesa das famílias aponta para uma possível contaminação hospitalar cruzada entre os recém-nascidos internados na maternidade. Conforme a advogada, embora alguns bebês possuíssem condições de saúde pré-existentes decorrentes da gestação, nenhum deles apresentava um quadro clínico incompatível com a vida antes de contraírem as infecções na unidade.
Por meio de nota oficial, o Hospital e Maternidade Salvalus declarou que “reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, a qualidade da assistência e o respeito às família“. A instituição acrescentou que trata o tema com extremo rigor e enfatizou que ocorrências clínicas variadas não devem ser associadas a um único fator sem embasamento técnico.
Posicionamento da rede hospitalar
A unidade de saúde pontuou que atua como referência em atendimento pediátrico de alta complexidade e gestações de alto risco, acolhendo pacientes com quadros severos, como prematuridade extrema, malformações, síndromes genéticas e infecções graves que demandam suporte especializado.
Segundo o hospital, mais de mil crianças receberam atendimento ao longo deste ano na unidade, contando com assistência personalizada e equipes médicas qualificadas. A administração hospitalar argumenta que as análises feitas até o momento demonstram histórico clínico diversificado entre os pacientes, sem qualquer indício técnico que comprove uma origem infecciosa compartilhada nos episódios avaliados.
A direção da maternidade ainda pontuou que alegações públicas não devem ser generalizadas para gerar conclusões precipitadas sobre os serviços prestados sem o devido respaldo técnico, alertando que tais informações podem intensificar o sofrimento de parentes que já passam por situações de grande vulnerabilidade. Por fim, o estabelecimento informou que mantém auditorias constantes sobre a segurança assistencial e canais abertos de suporte, ressaltando que ainda não foi formalmente notificado sobre os procedimentos investigativos, mas segue à inteira disposição das autoridades para esclarecimentos, garantindo a privacidade dos pacientes e o sigilo médico.






