O empresário João Amoêdo, um dos fundadores do partido Novo, declarou nesta 6ª feira (23.out.2026) que votará no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25.out). O economista justificou sua escolha afirmando que prefere uma nova gestão petista aos riscos que enxerga em uma eventual administração liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Histórico de posicionamentos eleitorais
Em 2022, Amoêdo também declarou voto em Lula no 2º turno, contra o então presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 2018, no entanto, apoiou Bolsonaro na 2ª etapa da eleição presidencial. Em sua manifestação recente nas redes sociais, o ex-dirigente ressaltou que a disputa atual é guiada pela rejeição aos nomes postos.
“Entre a irritação com um novo governo Lula e o risco que representa um governo Bolsonaro, fico com a 1ª opção”, escreveu em publicação no X.
Críticas aos candidatos na disputa
Ao detalhar sua decisão, o empresário mencionou críticas à condução das contas públicas, à polarização política e à indicação de aliados para o Supremo Tribunal Federal por parte do atual mandatário. No entanto, direcionou críticas ainda mais duras ao seu opositor na corrida ao Palácio do Planalto.
“Vamos, mais uma vez, para um pleito a ser definido pela rejeição e não pela escolha”, escreveu.
Contexto das eleições passadas
Eis a íntegra da postagem de Amoêdo:
“No domingo iremos, pela terceira vez consecutiva, decidir entre o petismo e o bolsonarismo. A minha sensação como cidadão é de frustração e preocupação.
“Frustração pela nossa apatia em relação à política, em especial da nossa elite. Fomos incapazes de construir, nos últimos anos, uma alternativa decente e competitiva que nos tirasse dessa armadilha das últimas 3 eleições presidenciais.
“Vamos, mais uma vez, para um pleito a ser definido pela rejeição e não pela escolha.
“A discussão de propostas, de um plano para o País e o debate de ideias foram substituídos pelos ataques baixos e pessoais ao oponente. Fica evidente a incapacidade de ambos os lados de construírem uma nação próspera.
“O PT inaugurou o nós contra eles, dividindo os brasileiros, e o bolsonarismo, que nasceu já dentro dessa lógica, levou-a a um outro patamar.
“A urna, que deveria ser o momento para definirmos o futuro da nação, tornou-se, para muitos, um momento de expressão de raiva.
“Lula errou do início ao fim do seu mandato.
“Não promoveu o diálogo com quem pensa diferente, indicou amigos para o STF, insistiu na polarização, cercou-se de um núcleo duro despreparado, foi irresponsável com as contas públicas e adotou medidas eleitoreiras de mais gasto público.
“E, depois de todas essas ações, com baixa aprovação e com as limitações da idade, cometeu o maior erro: resolveu ser candidato pela 4ª vez.
“Flávio, por sua vez, não tem absolutamente nada que o credencie a governar o País. Falta postura, credibilidade e competência. Foi um senador sem qualquer iniciativa produtiva na área econômica, na segurança ou na educação. É conhecido apenas pelo sobrenome e pelo envolvimento em inúmeros casos suspeitos: rachadinha, lavagem de dinheiro, proximidade com membros da milícia e com golpistas. Está cercado de conhecidos oportunistas e seu objetivo maior é conceder o indulto ao pai, condenado por tentativa de golpe.
“O quadro político definido após o primeiro turno torna o meu sentimento de preocupação ainda maior do que o de frustração.
“Lula, se eleito, fará seu último mandato, sem nenhum sucessor definido, tem um vice-presidente com comprovada experiência na gestão pública e, apesar de ter a oportunidade de indicar membros do STF, encontrará forte oposição no Senado.
“Flávio, diferentemente, poderá se candidatar à reeleição, tem um vice-presidente desconhecido, terá uma Câmara e um Senado extremamente favoráveis e aliados comandando os principais estados brasileiros.
“São alternativas totalmente distintas para quem anseia por renovação em 2030 e teme a perpetuação de uma família no poder.
“Em 2018 e 2022, declarei o meu voto no segundo turno. Não foram decisões fáceis e sem ônus pessoais, pelo contrário. Nesse ano será ainda mais difícil. Entretanto, não expressar o que penso seria aceitar a ideia de que vivemos em um país onde as pessoas não são livres para emitirem a sua opinião pelo receio de serem agredidas. Não é essa nação que desejo.
“Serei oposição a qualquer um dos dois que vier a ser eleito, mas, entre a irritação com um novo governo Lula e o risco que representa um governo Bolsonaro, fico com a primeira opção.”






