O Ministério de Minas e Energia deu início nesta sexta-feira a uma consulta pública com o objetivo de mapear a situação atual e planejar a expansão da infraestrutura nacional de recarga para carros elétricos, impulsionada pelo forte crescimento nas vendas desses automóveis.
Diagnóstico e diretrizes regulatórias
A pasta informou que o levantamento pretende reunir dados para traçar um panorama completo da atividade, apontar eventuais obstáculos legais e regulatórios, além de desenhar ajustes nas normas. O propósito é conectar os pontos de abastecimento às redes elétricas e aperfeiçoar o planejamento do setor energético.
De acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) citados pelo governo, os emplacamentos de automóveis leves eletrificados no Brasil alcançaram 381.609 unidades entre os meses de janeiro e setembro deste ano, superando com ampla margem o volume total comercializado em todo o ano anterior.
“Em setembro a participação de veículos eletrificados alcançou 19,8% das vendas de veículos leves, ritmo que tem superado as projeções oficiais disponíveis”, destacou o ministério em nota técnica.
Investimentos e expansão das montadoras
Para o governo, a transição para frotas eletrificadas configura um movimento estrutural e permanente. Esse avanço é impulsionado principalmente pela chegada de fabricantes estrangeiras que anunciaram aportes financeiros na fabricação e montagem de automóveis em território nacional.
A montadora chinesa BYD avança na nacionalização de componentes e iniciou os pedidos de licenças para dobrar, para 600.000 veículos, a capacidade anual de produção de sua fábrica brasileira, segundo reportagem da Reuters publicada nesta sexta-feira.
Outras grandes marcas com operações no Brasil, a exemplo de Stellantis, Volkswagen, Toyota e GWM, também apostam em carros elétricos e híbridos como pilares de suas estratégias financeiras. Conforme levantamentos oficiais, esses aportes combinados alcançam cerca de R$ 130 bilhões até o final desta década.
Desafios na distribuição geográfica e na rede
No tocante à infraestrutura de abastecimento, o país conta atualmente com 29.866 estações públicas e semipúblicas, segundo estatísticas da ABVE e da Tupi Mobilidade.
Contudo, a distribuição geográfica dessas unidades permanece bastante desigual, concentrando-se em regiões específicas. O estado de São Paulo detém isoladamente 26,3% das instalações de recarga do país. Somando São Paulo aos três estados sulistas, o grupo responde por 50,7% do total nacional. Em contraste, os sete estados da região Norte concentram apenas 3,4%.
Impacto no setor elétrico
No que tange à energia elétrica necessária para abastecer a frota, a administração federal projeta que a eletromobilidade se tornará um mercado expressivo. A estimativa aponta que o consumo energético voltado a essa finalidade deve atingir cerca de 15 TWh até 2036.
A expectativa é que o consumo de energia para eletromobilidade alcance aproximadamente 15 TWh em 2036, “ordem de grandeza comparável à de outras novas cargas relevantes para a expansão da demanda elétrica considerada no planejamento setorial”.
Além do volume total exigido, a dispersão dessa demanda no território e ao longo das horas representará um teste para o sistema elétrico nacional.
“Em especial, a recarga de veículos elétricos pode provocar concentrações localizadas de demanda em áreas urbanas, condomínios residenciais, garagens corporativas, centros logísticos e corredores rodoviários, com possíveis reflexos sobre os circuitos de distribuição e transformação que os atendem”, aponta a nota técnica.
O processo de consulta pública promovido pelo ministério permanecerá disponível para o envio de sugestões e contribuições durante o prazo de 30 dias.






