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Minas Gerais espelha divisão do Brasil e define rumos da eleição

'Pêndulo' eleitoral, MG espelha divisão entre direita e esquerda na corrida para Presidência e pode ser decisivo para 2º turno

O primeiro turno das eleições revelou uma intensa polarização política em Minas Gerais, consolidando o território mineiro como um verdadeiro reflexo do cenário nacional entre as candidaturas da direita e da esquerda.

Panorama político e o peso do estado pêndulo Reconhecido por especialistas como um “estado pêndulo” por alternar suas preferências políticas entre a direita e a esquerda nas últimas três décadas, o território mineiro também carrega a fama de ser considerado um “espelho do Brasil”. Historicamente, a unidade federativa reproduz o desfecho da corrida presidencial desde o processo de redemocratização.

“Desde a redemocratização, o estado sempre votou no candidato que venceu a eleição presidencial. Por isso, tem peso eleitoral e também simbólico: o resultado mineiro costuma ser tratado como termômetro da disputa nacional”, explica Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Disputa presidencial e abstenção em território mineiro Com o segundo maior colégio eleitoral do país, somando 16,3 milhões de aptos a votar — ficando atrás apenas de São Paulo —, Minas concentrou as atenções das equipes de campanha. Na primeira etapa, a taxa de abstenção alcançou 22,8%, superando a média nacional de 21,08% e deixando cerca de 3,7 milhões de pessoas longe das urnas.

No dia 4 de outubro, a corrida presidencial no estado terminou com vantagem numérica para a direita, enquanto a esquerda obteve maior capilaridade territorial. O candidato apoiado pelo PL registrou 48,24% dos votos válidos, totalizando uma diferença de mais de 588 mil sufrágios em relação ao principal adversário petista, que alcançou 43,33%. Apesar disso, o representante do PT obteve maioria em 452 municípios, ao passo que o oponente liderou em 401 cidades. Entre os dez maiores colégios mineiros, a direita venceu em nove, com exceção de Juiz de Fora.

Eleição para o governo estadual e bancadas no Congresso A escolha para o comando do Executivo estadual foi definida logo na etapa inicial. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) garantiu a vitória com 55,40% dos votos válidos, superando os concorrentes apoiados pelos principais blocos nacionais.

Apesar de declarar apoio ao candidato do PL à presidência, o governador eleito defendeu bandeiras associadas à esquerda e afirmou ter tido papel direto em uma mudança de postura do aliado. “Fui o responsável por fazer Flávio mudar de ideia”, chegou a declarar. Cleitinho também garantiu que buscará diálogo institucional com quem vencer a disputa pelo Planalto.

Na composição do Senado Federal, os eleitores mineiros optaram por dividir as vagas entre as principais correntes: o representante do PL, Domingos Sávio, foi o mais votado, seguido pela petista Marília Campos.

Já na Câmara dos Deputados, o PL assegurou a maior bancada estadual com 21 parlamentares, seguido pelas federações lideradas pelo PT. Entre os nomes de destaque nacional estão figuras como Nikolas Ferreira (PL) e a jovem Ana Elisa (PT), que mobilizaram expressivos contingentes de eleitores e impulsionaram as estratégias digitais de suas respectivas siglas para o segundo turno decisivo.

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