A província canadense de Alberta realiza nesta segunda-feira um plebiscito crucial para definir se avança em direção a um referendo separatista, colocando à prova a unidade nacional do país. Cerca de um quarto dos cidadãos locais apoia a independência, impulsionados pela enorme riqueza gerada por reservas de petróleo, gás natural e por um forte setor agrícola.
O peso econômico e as motivações separatistas
Para os defensores da separação, a província é prejudicada fiscalmente por repassar bilhões de dólares em impostos federais para Ottawa. A contribuição líquida de Alberta para o governo central alcançou centenas de bilhões de dólares nas últimas décadas, alimentando a revolta de moradores que se sentem negligenciados pelo poder central e frustrados com políticas ambientais e restrições sanitárias passadas.
“A economia de Alberta é única. É fundamentalmente diferente do resto do Canadá — temos as pessoas, as instituições e a infraestrutura necessárias para prosperar”, afirma Keith Wilson, apoiador da independência.
Custos bilionários e alertas econômicos
Em contrapartida, governantes e especialistas apontam que a independência traria desafios financeiros catastróficos, incluindo custos de transição de centenas de bilhões de dólares e a necessidade de criar do zero agências tributárias, sistemas judiciais e forças de segurança.
“Por que precisamos criar toda essa incerteza que pode impactar e prejudicar a situação fiscal da província no futuro? Por que não trabalhamos internamente no Canadá para resolver esses problemas?”, questiona Lennie Kaplan, ex-funcionário da área financeira.
Enquanto separatistas estimam economias expressivas e superávits anuais, economistas comparam a iniciativa ao Brexit e projetam quedas drásticas no PIB local e na renda da população.
“Somos uma economia baseada em recursos naturais. Temos poder de negociação. Temos produtos que o mundo deseja. É por isso que o investimento vem para cá,pesar das restrições impostas por Ottawa”, rebate Wilson.






