Um grupo de mães inscritas no programa Minha Casa, Minha Vida realizou um ato de protesto em frente à sede da Prefeitura de Boa Vista nesta quarta-feira (21). O objetivo principal da mobilização foi exigir clareza e explicações sobre os critérios adotados na escolha dos beneficiários das novas unidades habitacionais do município.
Denúncias de ocupação prévia De acordo com os manifestantes, há indícios de que determinados cidadãos conseguiram entrar em residências situadas nos conjuntos habitacionais dos bairros Centenário e Doutor Ayrton Rocha, na área do Pérola, antes mesmo que a listagem oficial de escolhidos fosse tornada pública pela administração municipal.
Esses endereços específicos foram planejados para abrigar os inscritos na chamada Faixa 1, voltada exclusivamente para núcleos familiares que possuem renda bruta de até R$ 2.850 mensais. Ao todo, a categoria registrou 17.155 cidadãos considerados aptos a concorrer na capital de Roraima.
Reunião com gestores públicos Durante o ato público, os cidadãos conseguiram dialogar diretamente com o secretário adjunto da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social de Boa Vista, Gabriel Sousa de Paula. Os participantes do protesto relataram que a gestão municipal assumiu o compromisso de liberar um edital contendo o nome das 137 famílias que já foram selecionadas.
Entre as pessoas que aguardam ansiosamente pela oportunidade de conseguir a moradia própria está a moradora Talinda Silva Pinto. Ela relatou que cumpriu todas as etapas exigidas, enviando a papelada necessária para atestar o período de residência no estado, além de comprovar os quesitos de vulnerabilidade e prioridade exigidos pelas regras federais.
“A gente seguiu os critérios do Diário Oficial e correu atrás dos documentos para comprovar o tempo de moradia. Fiz tudo certinho e tirei uma boa pontuação: 39 pontos, porque comprovei que moro há 39 anos em Roraima”, disse, acrescentando que tem esperança de ter o próprio imóvel.
Falta de comunicação oficial Outra participante que busca conquistar a moradia é Rayane Thaís Mota. O principal incômodo relatado por ela diz respeito à ausência de avisos prévios por parte do poder público sobre as inspeções nos prédios, além da carência de justificativas transparentes sobre o andamento de todo o processo seletivo.
“Não houve transparência da Prefeitura e dos órgãos competentes. O secretário disse que as visitas feitas ontem não foram entregas oficiais, mas apenas vistorias. Se eram vistorias, por que não informaram à população que algumas famílias seriam chamadas para visitar as casas antes da publicação do edital com os primeiros contemplados?”, questionou.
“Estão brincando com os nossos sonhos. A gente precisa de um lar, de conforto. Queremos mais transparência e respeito às mães que lutam por uma casa digna para chamar de sua”, acrescentou.
Funcionamento da iniciativa habitacional O Minha Casa, Minha Vida consiste em uma política pública federal voltada a viabilizar moradia digna para cidadãos de baixa e média renda por meio de mecanismos de financiamento e subsídios financeiros. No âmbito municipal, cabe à prefeitura local conduzir o levantamento e a triagem dos candidatos, seguindo rigorosamente as diretrizes fixadas pelo governo federal.






