O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira (21), que “aceita o desafio” do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para abrir seus sigilos, mas impôs condições. A declaração foi dada durante um evento com simpatizantes na cidade de Guarulhos, localizada na Região Metropolitana de São Paulo.
Exigências e contrapropostas
Entre as demandas apresentadas pelo senador, estão a abertura do sigilo telefônico do ex-chefe de gabinete do petista Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além da divulgação de dados referentes ao cartão corporativo da Presidência. O ato político foi organizado pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que antes do discurso do aliado declarou que Lula estava com medo e procurava uma desculpa para faltar ao debate.
“Só que eu não só vou aceitar o desafio como eu vou levar até as últimas consequências”, declarou o candidato do PL durante encontro com apoiadores em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.
O senador justificou a cobrança sobre o antigo assessor afirmando que o petista não faz uso de aparelho celular e que as chamadas direcionadas a ele passam por intermédio de pessoas próximas, sendo Marcola um dos principais contatos.
“Você não tem celular, sabe quem recebe as ligações com você? O Marcola. O Lula tem o Marcola lá do lado dele”, disse o senador. “Para eu abrir as minhas contas, Lula tem que abrir o sigilo telefônico do Marcola.”
Demanda por transparência
Além disso, o político exigiu a publicação de informações sobre o patrimônio da família do atual chefe do Executivo, as operações do Instituto Lula e os registros de entrada no Palácio da Alvorada. Ao citar o cartão corporativo, ele mencionou a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja.
“Lula, você vai tirar o sigilo que você botou em quem visitou o Alvorada?”, questionou.
Essas manifestações surgem logo após a equipe jurídica da campanha de Lula protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização visando tornar públicos os sigilos fiscal, bancário e telefônico do presidente e de seus parentes, conduta atrelada à reciprocidade de Flávio. O texto abrange o período dos últimos oito anos, embora a petição contenha uma declaração formal de autorização sem os dados específicos. O embate teve início no debate da Band/Estadão no domingo (18) e ganhou novos capítulos quando o petista cobrou o documento para a participação na TV Globo.
Posicionamento sobre aborto e Supremo Tribunal Federal
Mudando o foco para o cenário judicial, o candidato afirmou que, caso seja vitorioso no pleito, nomeará para o Supremo Tribunal Federal (STF) magistrados contrários ao aborto, argumentando que a reeleição de Lula facilitaria a escolha de nomes favoráveis à descriminalização.
“A gente vai colocar lá pessoas corretas, homens e mulheres que respeitam a Constituição, que sejam contra as drogas, que sejam contra o aborto”, declarou.
Ele relembrou a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental proposta pelo PSOL no STF para liberar a interrupção da gravidez até a 12ª semana e criticou votos anteriores de ministros como Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. Por fim, o postulante reforçou seu ponto de vista ideológico ao argumentar que “desde a concepção tem vida”.






