A 2ª Câmara do TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou nesta 3ª feira (20.out.2026) as contas do BC (Banco Central) referentes ao exercício de 2025. A decisão ocorre uma semana após a Corte de Contas ter paralisado a análise até o desfecho das apurações sobre a conduta da autoridade monetária na liquidação do Banco Master. A suspensão anterior, conduzida pelo ministro Jorge Oliveira, havia atendido a uma solicitação do MPTCU (Ministério Público junto ao TCU).
Mudança de rumo e quitação plena Na sessão desta 3ª feira (20.out), Oliveira reverteu seu próprio entendimento ao constatar que, embora o questionamento do Ministério Público tenha ocorrido em outra frente, o próprio órgão fiscalizador já havia verificado que os documentos entregues na prestação de contas não continham irregularidades de natureza grave.
Com essa reviravolta, o Tribunal de Contas concedeu quitação plena aos dirigentes da instituição financeira envolvidos na ação, o que abrange o presidente Gabriel Galípolo. O processo foi formalmente encerrado e desvinculado de vez das investigações sobre o Banco Master.
Avaliação periódica da administração pública A prestação de contas funciona como um procedimento regular no qual a Corte examina a lisura administrativa de órgãos federais. No caso da autoridade monetária, a auditoria de 2025 avalizou a atuação de Galípolo e de outros oito diretores, checando o cumprimento de mandatos institucionais, a gestão de fundos públicos e a legalidade dos atos gerenciais.
Antes da reviravolta, a Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros já havia emitido parecer favorável à regularidade das contas e à concessão da quitação total. O MPTCU, contudo, havia impetrado um pedido de adiamento sob o argumento de que as apurações paralelas sobre o Banco Master poderiam respingar na avaliação da diretoria.
Histórico das investigações e impasses Na semana anterior, em 13 de.out, a Corte havia determinado a retenção do julgamento até o trânsito em julgado do processo TC 022.950/2025-7, sob a relatoria do ministro Jhonatan de Jesus. A apuração em questão examina uma suposta omissão do BC na vigilância do Banco Master e de suas empresas ligadas, culminando na liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025.
O escopo também englobava o processo TC 008.216/2025-8, focado em eventuais falhas de supervisão na parceria comercial entre o BRB (Banco de Brasília) e o Banco Master. Essa frente permanece congelada na dependência de diretrizes do STF (Supremo Tribunal Federal).
Atrito institucional no início do ano O ministro Jhonatan de Jesus protagonizou um atrito com o comando da autoridade monetária no começo de 2026. Em 5 de janeiro, ele exigiu uma inspeção presencial para destrinchar os trâmites que culminaram na liquidação da instituição financeira, apontando fragilidades na comprovação documental apresentada pelo BC e sugerindo uma cautelar para blindar os ativos remanescentes.
Após o Banco Central contestar a decisão e exigir um aval colegiado do tribunal, Jhonatan suspendeu a medida em 7 de janeiro para levar o impasse ao Plenário, ponderando que a repercussão pública havia tomado proporções desproporcionais para uma checagem de rotina.
As checagens pretendiam devassar o monitoramento exercido pelo BC entre 2019 e 2025 sobre o Master, sem a pretensão de interferir nas prerrogativas regulatórias da autarquia. A tensão arrefeceu em 12 de janeiro, quando o presidente do TCU, Vital do Rêgo, reuniu-se com Galípolo e atestou que um entendimento mútuo descartou a urgência de uma cautelar contra a liquidação.






