Procurada pelas autoridades policiais, a principal suspeita de assassinar Túlio Fernando dos Santos compareceu à delegacia nesta terça-feira (20) acompanhada de sua defesa e admitiu a autoria do crime no município paulista de Franca.
Histórico de violência e medida protetiva
O casal mantinha um vínculo de um ano marcado por instabilidades. Conforme apurado pelas autoridades, os dois haviam reatado o relacionamento havia apenas três meses, apesar de a mulher já ter obtido anteriormente uma medida protetiva de urgência contra o parceiro devido a episódios anteriores de agressões e ameaças.
O delegado Márcio Murari informou que o histórico de conflitos incluía abuso de álcool e entorpecentes por parte do homem. O investigado chegou a cumprir um dia de detenção por violar a determinação judicial de afastamento, mas o casal optou por reatar após frequentarem cultos religiosos na tentativa de pacificar a convivência.
Dinâmica do crime no Jardim Aeroporto III
O corpo da vítima foi localizado no domingo (18) na área da garagem da residência que dividiam, situada no bairro Jardim Aeroporto III. O local exibia sinais de violência na região da nuca, enquanto uma faca suja de sangue foi recolhida no corredor externo do imóvel.
De acordo com o relato prestado pela investigada, o desentendimento começou após o encerramento de uma reunião social com convidados na residência. A discussão escalou rapidamente para vias de fato quando o companheiro a atacou.
“A discussão se acalorou e ele, então, partiu para cima dela. Segundo a versão que ela apresenta, ela acabou se apoderando de uma faca de pão, de serra, e desferiu o único golpe que atingiu o pescoço, vindo a causar ferimentos graves”, afirma o delegado Márcio Murari.
A defesa sustenta que a atitude foi motivada por autopreservação diante da conduta agressiva da vítima. “A Michely foi vítima, ela só se defendeu e vamos provar isso no processo. Ele era agressivo e, em um momento de desespero, ela acabou se defendo com esse golpe”, diz o advogado dela, Thales Balbino.
Liberdade provisória e apelo da família
A mulher relatou aos investigadores que tentou acionar tanto a Polícia Militar quanto o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), porém não obteve sucesso nas ligações. Em seguida, fugiu para o domicílio de um familiar.
Após prestar esclarecimentos formais à Polícia Civil, a suspeita foi liberada em decorrência da legislação vigente no período eleitoral, que restringe detenções apenas a situações de flagrante delito ou condenações emitidas em segunda instância. Ao deixar o distrito policial, ela declarou brevemente que não tinha a intenção de tirar a vida do parceiro.
Do outro lado, o pai da vítima, o caminhoneiro João de Deus Santos, manifestou revolta com a liberação e cobrou punição rigorosa. "Eu espero justiça. Se ela fez isso com ele, vai fazer com outro, possivelmente."






