O Ministério Público de São Paulo instaurou uma procedimento para apurar o vazamento de dados confidenciais do Smart Sampa, o sistema municipal de vigilância por câmeras e reconhecimento facial da administração do prefeito Ricardo Nunes. A apuração foi direcionada às Promotorias de Justiça do Patrimônio Público para definir qual membro do órgão conduzirá os trabalhos.
Riscos e vulnerabilidades na segurança Informações sensíveis da plataforma permaneceram expostas na rede mundial de computadores por aproximadamente 11 meses, concedendo acesso restrito a frames de mais de 58 mil dispositivos de segurança. Entre os locais monitorados estavam vias públicas, unidades de ensino, creches e hospitais da capital paulista.
Rafael Alcadipani, docente de segurança pública da FGV, destacou a urgência de auditar os protocolos de permissão e examinar quem possui autorização para manipular tais dados. O especialista alertou que falhas nessa governança transformam ferramentas de proteção em instrumentos de vulnerabilidade.
“Um sequestrador poderia obter informações sobre a vítima que deseja sequestrar; um criminoso poderia saber onde estão as viaturas policiais no momento em que pretende cometer o crime; e alguém interessado em cometer um atentado contra uma autoridade poderia descobrir onde essa autoridade está”, afirmou Alcadipani.
Medidas adotadas pela administração municipal A Prefeitura de São Paulo admitiu a ocorrência, mas refutou a hipótese de falha técnica no software, atribuindo a responsabilidade a uma conduta isolada.
“O que houve foi um vazamento ilegal de dados por parte de um servidor entre os mais de 7.500 agentes de segurança. Ele já foi identificado, afastado e sua conduta está sendo investigada pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana”, afirmou a prefeitura.
Como resposta ao incidente, o repositório irregular foi desativado e a segurança da ferramenta foi incrementada com o uso de chaves exclusivas, validação em duas etapas e confirmação por SMS para novas credenciais. A gestão municipal reforça que a iniciativa passa por fiscalizações do Tribunal de Contas do Município e auditorias periódicas.
Estrutura e eficácia do sistema Implantado em 2024 sob um custo mensal aproximado de R$ 10 milhões, o Smart Sampa emprega inteligência artificial para cruzar registros visuais com cadastros de procurados e localizar automóveis com restrições. Embora a administração aponte a captura de milhares de foragidos, levantamentos acadêmicos divergem sobre o impacto real na criminalidade.
Um estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania apontou que a tecnologia não gerou quedas estatísticas relevantes em delitos como roubos e furtos, além de relembrar episódios de falsas abordagens motivadas por imperfeições algorítmicas e cadastros desatualizados. A prefeitura rejeitou os argumentos da pesquisa, alegando falhas metodológicas na comparação com outros municípios.






