A nova proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, estabelece a devolução integral dos recursos captados de 19 fundos de previdência distribuídos por todo o território nacional. A informação foi divulgada na segunda-feira, 19.
Impacto das aplicações e o caso do Rio de Janeiro
O documento já se encontra sob a análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O texto engloba valores que possuem grande relevância para o estado do Rio de Janeiro, cenário em que o Rioprevidência aplicou cerca de R$ 3 bilhões na instituição financeira durante o mandato do governador Cláudio Castro.
O compromisso de efetuar a restituição financeira constitui o eixo central desta nova tentativa de acordo. Essa promessa de ressarcimento pode alterar significativamente o panorama em comparação às tratativas passadas, que sofreram rejeição pelas autoridades encarregadas de apurar as suspeitas de fraudes bilionárias ligadas ao banco.
Histórico de recusas pela Polícia Federal e PGR
A defesa de Vorcaro protocolou a primeira iniciativa de colaboração nos primeiros dias de maio. Na ocasião, a Polícia Federal classificou os dados como insuficientes, sob a justificativa de que os relatos careciam de elementos inéditos para somar às evidências já acumuladas no inquérito, resultando na rejeição do acordo.
Posteriormente, em junho, os defensores submeteram uma nova minuta contendo modificações nos anexos. Contudo, a investida novamente fracassou: a corporação policial rejeitou o termo mais uma vez e, em 15 de junho, a Procuradoria-Geral da República adotou idêntico posicionamento.
Segundo a perspectiva dos investigadores, a documentação carecia de provas sólidas e de fatos novos que pudessem legitimar a pactuação. A PGR enfatizou, ainda, a carência de uma garantia concreta voltada à recuperação dos montantes supostamente obtidos por meio das práticas irregulares sob escrutínio.
Investigação sobre fundos estaduais e intermediários
A apuração abrange investimentos realizados por regimes próprios de previdência de servidores públicos na instituição. Mensagens localizadas no aparelho celular de Vorcaro, somadas aos dados expostos na proposta de colaboração, revelam a participação de intermediários na facilitação de contatos entre o banco e os institutos estaduais.
Uma publicação jornalística de 16 de outubro apontou que o texto da delação fazia referência ao envolvimento de lideranças políticas na captação voltada aos fundos previdenciários. Os citados refutaram a existência de irregularidades, e os registros telemáticos divulgados não atestam, isoladamente, a totalidade das imputações contidas na colaboração.
No âmbito fluminense, o Rioprevidência figura entre os entes afetados pelas diligências. A expressiva quantia direcionada ao banco faz com que a garantia de devolução ganhe peso estratégico para os beneficiários do sistema previdenciário do estado.
O possível acordo ainda depende de avaliações técnicas detalhadas por parte da PGR. Até a emissão de um parecer oficial, permanece incerta tanto a homologação da delação quanto a efetiva recuperação total dos montantes direcionados aos fundos.






