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Guerra em Gaza destrói 90% das oliveiras e encarece o azeite

Oliveiras destruídas e lavouras bloqueadas por tropas israelenses: a luta para produzir azeite em Gaza

O agricultor palestino Haidar Abu Middain, de 60 anos, caminha por terras destruídas na região central da Faixa de Gaza. O pomar que sua família dividia com irmãos e tios ocupava 900 dunums — cerca de 90 hectares — e contava com centenas de oliveiras que tradicionalmente rendiam colheitas fartas e milhares de quilos de frutos.

Impacto devastador nos pomares de Gaza

A maior parte do terreno produtivo está atualmente sob restrições de acesso militar ou foi completamente arrasada por tratores. Apenas 20 ou 30 árvores continuam de pé no antigo pomar da família, gerando uma quantidade insignificante de óleo, insuficiente até para o consumo doméstico.

“Antes da guerra, a colheita era uma bênção; era o suficiente para garantir o sustento de nossas famílias”, disse ele à Reuters. “A produção daqui costumava ser suficiente para abastecer toda a região central, tanto com azeite quanto com azeitonas.”

Crise na produção e disparidade de preços

Dados das autoridades agrícolas apontam que o território palestino contava com cerca de 2 milhões de oliveiras antes dos conflitos, número que despencou para apenas 150 mil exemplares remanescentes. A safra atual deve render apenas 700 toneladas de azeite, uma queda drástica em comparação às 5 mil toneladas habituais.

Com a escassez generalizada, o produto nos mercados locais ficou até três vezes mais caro, alcançando valores próximos a US$ 500 por barril, quantia proibitiva para a maioria dos moradores da região. Das cerca de 40 prensas tradicionais que operavam antes dos confrontos, apenas sete continuam funcionando de forma precária.

“Comparado aos anos anteriores à guerra, é como se não restasse nada. Não há azeitonas; tudo foi arrasado por tratores, as azeitonas desapareceram”, afirmou Fawaz Zidan, proprietário de uma das prensas que ainda resistem na área de Deir al-Balah.

Refúgio e escassez de empregos no campo

Na pequena zona de Deir al-Balah, considerada segura e poupada de invasões terrestres diretas, um dos poucos olivais que resistiram abriga famílias durante o período de colheita dos frutos remanescentes, mantendo viva uma tradição secular de subsistência e união comunitária.

Trabalhadores rurais que antes dependiam da temporada para garantir renda por vários meses agora enfrentam extrema escassez de oportunidades, resumidas a diárias esporádicas.

“Mas ainda precisamos garantir o sustento dos nossos filhos, colocar algo para eles comerem; queremos tentar ganhar o nosso pão de cada dia”, relatou o trabalhador Ahmed Khader.

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