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Tecnologia do Coliseu de Roma é usada para monitorar Museu do Ipiranga em SP

Conheça tecnologia do Coliseu de Roma usada para monitorar estrutura do Museu do Ipiranga, na Zona Sul de SP

Pesquisadores brasileiros adotaram uma tecnologia de escaneamento 3D a laser usada no Coliseu, em Roma, para monitorar a integridade estrutural do Museu do Ipiranga, localizado na Zona Sul de São Paulo. O trabalho mapeou cada milímetro do prédio histórico, por dentro e por fora, e permite acompanhar o comportamento da edificação após a reforma que manteve o espaço fechado por nove anos. A tecnologia também possibilita criar um modelo digital do museu para auxiliar na preservação preventiva do patrimônio.

Parceria internacional e execução

O projeto é uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Ferrara, na Itália. A execução ficou a cargo de pesquisadores italianos da mesma equipe que escaneou o Coliseu. As duas instituições mantêm uma parceria de pesquisa há 20 anos.

O trabalho durou três semanas, entre setembro e outubro deste ano, e foi realizado de forma gradual para não interferir na rotina do museu. Os espaços maiores, como o Salão Nobre, foram escaneados às segundas-feiras, quando não recebem visitantes.

Como funciona o escaneamento 3D

Os pesquisadores utilizam um equipamento portátil, do tamanho de uma caixa de sapato, que emite raios laser para registrar as coordenadas de cada ponto das paredes, dos pisos e das fachadas. As informações são reunidas em um grande arquivo digital.

Diferentemente da medição tradicional, feita com trenas e baseada nos ângulos principais de uma sala, o laser registra a superfície real com precisão de milímetros. O equipamento capta variações e revela desníveis, grau de umidade e até pequenos sinais de mofo nas paredes.

Para o professor de Arquitetura da Universidade de Ferrara, Marcello Balzani, o processo funciona como um exame médico detalhado.

“O edifício respira e se transforma com o tempo. É como fazer uma radiografia, um ultrassom, uma tomografia. A estrutura são os ossos, os caminhos são os músculos, o ar são os pulmões. Temos essa relação corpórea com a arquitetura. E, em uma edificação histórica, isso é ainda mais importante: precisamos mantê-la com saúde”, explica Balzani.

Modelo digital e prevenção

A equipe italiana já havia escaneado o museu entre 2017 e 2018, antes da obra de restauração do edifício. O novo levantamento permite comparar as condições da estrutura antes e depois da reforma. O resultado é um modelo tridimensional conhecido como “gêmeo digital”, que reúne informações físicas do prédio. O processo é chamado de HBIM, sigla em inglês para Modelagem de Informação da Construção Histórica.

“No modelo digital do museu, nós vamos anotando todas as manutenções e tentando descobrir as causas. Se uma lâmpada queima a cada três meses é porque tem alguma coisa errada com a instalação. Assim, é possível intervir antes de a situação se agravar”, explica Beatriz Kühl, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da USP (FAU-USP) e coordenadora científica do projeto Ipiranga Digital.

O mapa virtual também permite simular cenários extremos provocados pelas mudanças climáticas, como temporais mais fortes e dias de calor intenso, para avaliar como o prédio pode reagir. Antecipar problemas custa menos, evita obras pesadas e reduz a necessidade de intervenções no patrimônio histórico.

Aplicação no Coliseu de Roma e o papel humano

A tecnologia aplicada no Museu do Ipiranga já foi utilizada no Coliseu, em Roma, que recebe cerca de 30 mil visitantes por dia. Na Itália, a equipe precisou documentar milênios de intervenções sobrepostas à estrutura original do monumento. O trabalho gerou cerca de 150 terabytes de informações, processadas por máquinas e analisadas pelos pesquisadores.

“Mais do que a tecnologia, vale o conhecimento das pessoas. O scanner não faz nada sozinho. O diferencial está sempre na capacitação técnica de quem interpreta os dados e extrai sentido daquelas informações. É necessário o talento humano organizando o processo para que a inteligência artificial possa cruzar essas informações a nosso favor. Afinal, quem dá o laudo médico é o médico, e não a máquina”, reforça Balzani.

História e acervo

Projetado como um monumento para celebrar a Independência do Brasil, o Museu do Ipiranga foi construído entre 1885 e 1890 e inaugurado em 7 de setembro de 1895. Com 130 anos de história, é o museu público mais antigo da capital paulista e é tombado como patrimônio histórico municipal, estadual e federal. O acervo reúne mais de 450 mil itens, entre objetos, fotografias e documentos do século 17 até meados do século 20, importantes para a compreensão da sociedade brasileira. Entre os móveis e as obras de arte, destaca-se a tela “Independência ou Morte”, do pintor Pedro Américo, feita em 1888.

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