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Maior cheia das Cataratas do Iguaçu teve vazão 30 vezes acima do normal

VÍDEO: maior cheia registrada nas Cataratas do Iguaçu foi há 12 anos e teve vazão 30 vezes maior que a média

Em junho de 2014, as Cataratas do Iguaçu, localizadas no oeste do Paraná, registraram a maior cheia de sua história recente. O fluxo do Rio Iguaçu alcançou a marca extraordinária de aproximadamente 46 milhões de litros por segundo — volume mais de 30 vezes superior à média padrão de 1,5 milhão de litros por segundo. Na ocasião, a torrente quase cobriu na totalidade a passarela de observação, mas os pilares e vigas de sustentação suportaram o impacto sem sofrer abalos.

O episódio voltou à tona recentemente com novos episódios de elevação do rio. Em um registro de quarta-feira (14), o volume hídrico atingiu 15,8 milhões de litros por segundo, superando em dez vezes o patamar comum e fazendo o leito novamente encobrir o piso da travessia.

Engenharia de precisão: como a estrutura suporta a correnteza

A explicação técnica para a integridade da passarela diante de forças colossais reside na fixação direta das sapatas no leito rochoso. Edificada na década de 1990, a armação atual emprega o sistema de fundação por estaca-raiz, no qual perfurações profundas na rocha recebem ferragens reforçadas e cimento injetado sob alta pressão.

Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, empresa responsável pelas fundações da obra, detalhou o mecanismo que dá estabilidade ao mirante:

“A estaca-raiz é uma estaca que faz embutimento na rocha e isso faz com que ela absorva grandes esforços. É um tipo de fundação que nós utilizamos em várias outras obras em Foz do Iguaçu”, explicou.

Conforme o especialista, os pontos de apoio foram projetados não apenas para suster a carga dos visitantes e do concreto, mas para neutralizar a pressão lateral gerada pela água e pelo eventual choque de detritos e troncos arrastados pela torrente, sendo o empuxo da correnteza a força mais crítica.

O desafio de desviar o rio durante a construção

O complexo turístico atual começou a ser erguido em 1992 e foi finalizado no ano seguinte. O projeto anterior, construído em 1970, havia sido destruído por uma forte enchente nos anos 1980. Para viabilizar a nova obra, os engenheiros enfrentaram o desafio de afastar a água do local das perfurações.

O engenheiro Márcio Marcon, que participou da execução da obra, recorda que a primeira tentativa de contenção, realizada próxima às quedas, acabou destruída pela força de uma cheia repentina:

“Durante a execução da obra, foram pelo menos duas enchentes similares a essa. Em uma delas, a gente perdeu equipamentos, obviamente nunca mais encontramos. Mas a parte de concreto ficou absolutamente intacta”, afirmou.

A solução foi mudar o ponto de bloqueio para alguns quilômetros acima das cataratas. Com o canal seco de forma temporária, uma equipe de 20 a 30 operários conseguiu furar o leito rochoso e chumbar as bases com precisão.

Monitoramento contínuo e protocolos de reabertura

A integridade dos apoios é checada de modo permanente por sensores e estações de topografia. O monitoramento faz uso de prismas reflexivos posicionados nos pilares, capazes de flagrar oscilações milimétricas em relação aos levantamentos anteriores.

André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária Urbia+Cataratas, garante a eficácia do sistema de controle:

“Desde que a gente assumiu, que a gente começou a fazer esse monitoramento, nunca teve nenhuma alteração, nem que seja milimetricamente”, afirmou Franzini.

A liberação do passeio ao público pós-cheia exige critérios rígidos: o fluxo d’água precisa recuar para patamares inferiores a 8 milhões de litros por segundo e laudos técnicos estruturais precisam validar as condições de segurança. Há ainda o acompanhamento das usinas hidrelétricas da bacia para evitar surpresas no nível do rio.

Remoção preventiva dos guarda-corpos

Como medida de proteção contra enchentes severas, a equipe de manutenção costuma desacoplar as grades metálicas das laterais da passarela. Essa ação preventiva diminui a resistência imposta à correnteza e impede que troncos fiquem represados, evitando esforços excessivos sobre o tabuleiro de circulação.

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