Acostumada com a rotina de gestão e assistência em saúde, a enfermeira Fabiana Rossi, de 47 anos, vivenciou uma mudança radical de perspectiva ao passar para o outro lado do atendimento. Chefe do Serviço de Gestão de Risco e Qualidade do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), localizado na capital paulista, ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama no começo de 2025, iniciando o tratamento justamente na unidade onde constrói sua trajetória profissional há quase três décadas.
Cuidado compartilhado entre colegas de profissão
O processo terapêutico ganhou um significado ainda mais particular porque parte dos cuidados partiu de uma profissional que a própria paciente orientou no passado. A enfermeira Daniela Lopes, de 41 anos, que integra o quadro do HSPE desde 2011, foi a responsável por acompanhar as sessões de infusão. Em 2015, ao assumir a liderança da quimioterapia no hospital, Daniela teve Fabiana como mentora em sua capacitação.
Para Fabiana, o ambiente familiar amenizou as incertezas do período. “Tratar uma doença cujo diagnóstico já assusta é complicado. Porém, fazer isso em um hospital conhecido, com pessoas com quem você já trabalha há muitos anos, traz mais segurança durante todo o processo, porque você sabe da competência dos profissionais”, afirmou Fabiana.
Do ponto de vista da equipe, o momento também exigiu força emocional. “Foi muito difícil ver uma colega de trabalho na poltrona da quimioterapia, principalmente aquela que me acolheu e me auxiliou na capacitação quando eu assumi o cargo de encarregada da quimioterapia, em 2015. Foi doído vê-la nesse lugar. Porém, sempre soube que a Fabi iria superar o câncer. Ela era extremamente comprometida com o tratamento, perguntava sobre como melhorar a dieta e manter a mente ocupada”, afirmou Daniela.
A dedicação da paciente se refletiu na resposta física ao protocolo clínico. “Ela [Fabiana] é uma das pouquíssimas pessoas que realizaram a quimioterapia sem precisar interromper o tratamento pelo menos uma vez devido ao impacto da medicação no organismo”, ressaltou.
Da detecção precoce ao protocolo cirúrgico
O achado inicial aconteceu em meio aos exames ocupacionais periódicos promovidos pelo setor de Segurança do Trabalho do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). Embora a mamografia fizesse parte do rastreamento, foi o ultrassom mamário que evidenciou uma suspeita, confirmada como tumor hormonal após a biópsia.
A condução do caso teve a coordenação de Marcelo Antonini, diretor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Iamspe. Devido a precedentes na família, Fabiana realizou um teste genético que apontou mutações responsáveis por elevar o risco para tumores ovarianos e mamários.
A primeira etapa, focada na quimioterapia, chegou ao fim em julho de 2025. Já em agosto, a paciente enfrentou um procedimento cirúrgico com duração superior a 12 horas: foi submetida à mastectomia completa da mama esquerda, cirurgia preventiva na mama direita e reconstrução estética imediata conduzida pelo time de Cirurgia Plástica da instituição.
O plano terapêutico seguiu em outubro com uma intervenção de bloqueio hormonal com estimativa de dez anos de duração. Em novembro, foram realizadas a remoção preventiva dos ovários e das trompas uterinas e as sessões de radioterapia.
Remissão completa e mensagem de conscientização
Em fase de remissão total, Fabiana mantém o cronograma de avaliações médicas anuais. Sua superação ganha relevância no período marcado pelo Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, celebrado nesta segunda-feira (19), reforçando a necessidade dos exames regulares e do suporte coletivo.
“A enfermeira Daniela, o dr. Marcelo e tantos outros colegas de trabalho foram essenciais nessa jornada, pois cuidaram de mim e me acolheram em momentos de insegurança e medo, além de me apoiarem quando surgiam dúvidas”, ressaltou.






