A Coreia do Norte realizou testes recentes com dois tipos de mísseis de cruzeiro lançados de submarinos na costa leste, apenas um dia após o líder Kim Jong Un visitar um museu com itens militares que exibia um míssil balístico intercontinental voltado a ameaçar os Estados Unidos.
Contexto da escalada militar A movimentação em território norte-coreano ocorreu poucos dias depois de o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, acompanhar o lançamento do primeiro míssil hipersônico nacional. Essa tecnologia garante um salto expressivo no poder ofensivo, alimentando uma intensa disputa armamentista em meio ao agravamento das tensões no Indo-Pacífico.
Ameaças e velocidades extremas Os chamados mísseis hipersônicos conseguem atingir ao menos cinco vezes a velocidade do som, ultrapassando os 6.100 quilômetros por hora. Essa rapidez extrema complica severamente o trabalho das defesas aéreas em rastrear e destruir os projéteis, que ainda contam com a habilidade de alterar trajetórias de forma abrupta e carregar ogivas tanto convencionais quanto nucleares.
“Há muitos anos existe uma corrida armamentista na península coreana, e as armas hipersônicas são apenas a manifestação mais recente disso”, afirmou Chris Green, assessor sênior para a península coreana do International Crisis Group.
O especialista acrescentou que os armamentos se tornaram uma prioridade para o governo do Sul conforme o Norte expandiu seu poderio e estreitou laços com a Rússia.
“E a Coreia do Norte tem armas nucleares, mas não seria viável usá-lo, porque a ameaça sempre foi que, ao fazê-lo, os EUA transformariam o país em vidro. Para o Norte, não é surpreendente que a geopolítica da região os tenha incentivado a buscar armas convencionais avançadas na tentativa de alcançar predominância na península”, afirma.
Riscos de subestimar Pyongyang Embora existam dúvidas sobre a veracidade técnica das alegações norte-coreanas, analistas alertam para os perigos de ignorar o potencial do país.
“Não conhecemos suas capacidades e é possível que tudo isso seja propaganda, mas há uma longa lista de ocasiões em que as capacidades do Norte foram subestimadas apenas para se descobrir depois que eles realmente conseguem fazer o que dizem”, afirmou Green.
O general aposentado Chun In-bum, pesquisador sênior do National Institute for Deterrence Studies, reforça esse ponto de vista estratégico.
“Ninguém sabe ao certo se eles estão dizendo a verdade sobre isso, mas qualquer planejador militar prudente deve sempre assumir o pior cenário”, afirma o general.
Origem da tecnologia e futuro do conflito Ainda permanece obscuro como Pyongyang obteve o conhecimento necessário para desenvolver tais sistemas de forma tão veloz.
“Eles provavelmente obtiveram a tecnologia por meios ilegais”, disse Chun.
“Espionam empresas nos EUA, na Coreia do Sul e no Japão em busca desse tipo de informação, mas também fazem isso com seus ‘amigos’.”
Mesmo diante da gravidade do cenário, especialistas ponderam que as novas armas podem apenas anular as vantagens mútuas no campo de batalha, sem alterar drasticamente a balança geopolítica ou anular a dissuasão nuclear já existente na região.






