Os times da Série A do Campeonato Brasileiro precisaram adotar diferentes estratégias para ocupar os espaços deixados pelas casas de apostas nos uniformes, após a proibição da publicidade do setor. As alternativas encontradas pelas equipes incluem acordos comerciais com empresas de outros ramos, divulgação de programas de sócio-torcedor e a exibição de mensagens de protesto contra a medida.
Estratégias e protestos nos gramados
Flamengo, Fluminense e São Paulo foram os únicos times que exibiram mensagens de protesto contra a restrição nos uniformes. O levantamento considerou as últimas rodadas do Brasileirão e apenas os clubes que tinham casas de apostas como patrocinadoras, excluindo equipes que já não contavam com essas marcas antes da regra.
A mudança ocorreu no mesmo período em que clubes e representantes do setor de apostas pressionam o Supremo Tribunal Federal para suspender a medida provisória que baniu a publicidade, o marketing e o patrocínio de apostas de quota fixa no país. O ministro Luiz Fux, relator de ações sobre o tema, só deve analisar o caso após o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. A medida provisória ainda precisa ser avaliada pelo Congresso Nacional em um prazo de 120 dias para se tornar definitiva.
Ações das equipes e impacto financeiro
Durante um clássico no Maracanã, Flamengo e Fluminense exibiram a frase “Proibir não é proteger” nos uniformes. A ação conjunta ocorreu na 30ª rodada e integrou uma campanha liderada pela ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) e pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável). Segundo o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, a iniciativa partiu das patrocinadoras máster Betano e Superbet.
As casas de apostas representaram 34% das receitas de marketing dos 20 maiores clubes do futebol brasileiro em 2025, de acordo com um levantamento da Sports Value. Os times movimentaram R$ 3,2 bilhões em receitas de marketing no ano, sendo cerca de R$ 1,1 bilhão proveniente de patrocínios de empresas de apostas.
Novos parceiros e alternativas comerciais
Para suprir a ausência das marcas de apostas, o Corinthians passou a exibir a Shopee como patrocinadora máster após uma ação pontual com a Jota.ai. O Fluminense e o São Paulo substituíram a Superbet pela Superscore, plataforma independente de estatísticas esportivas ligada ao mesmo grupo.
Outros clubes optaram por promover iniciativas internas. O Botafogo passou a divulgar o programa de sócio-torcedor Camisa 7, o Vasco promoveu o Sócio Gigante e o Athletico-PR destacou seu próprio programa de apoio. O Santos utilizou o uniforme para divulgar o Instituto Leão do Mar e firmou acordo com o Agibank até o fim da temporada.
Batalha jurídica no Supremo
Enquanto a Advocacia-Geral da União defende a manutenção da proibição e pede que o STF ouça a Procuradoria-Geral da República, diversas entidades e clubes acionaram o Supremo contra a MP. A lista de ações inclui petições do setor de bets, emissoras de rádio e TV, além de clubes como Flamengo, São Paulo, Botafogo, Cruzeiro e Fluminense, que questionam os impactos econômicos e buscam a suspensão da regra.
A decisão final do STF e a análise do texto pelo Congresso Nacional definirão o futuro do mercado de patrocínios esportivos e a dinâmica financeira dos clubes brasileiros nas próximas temporadas.






