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Protestos na França geram 1,2 mil prisões e incêndios em prédios públicos

Protestos na França terminam com mais de 1 mil presos; atos contra o custo de vida se espalham pela Europa

As manifestações contra o custo de vida elevado e por melhores condições no sistema de ensino francês resultaram em aproximadamente 1.200 detenções e deixarão 150 policiais e gendarmes feridos.

O balanço oficial foi comunicado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que classificou como um milagre a ausência de um saldo mais trágico após os episódios de violência. De acordo com as estimativas do governo, cerca de 550 mil indivíduos tomaram as ruas em todo o território nacional, enquanto os organizadores apontam um público de 800 mil pessoas entre estudantes, trabalhadores e o movimento dos “coletes amarelos”.

Destruição de prédios públicos em Limoges e Lyon

Em Limoges, no centro do país, a prefeitura inaugurada em 1883 foi parcialmente destruída por um incêndio. Vândalos encapuzados invadiram o local após o encerramento do ato na cidade, provocando o desabamento do telhado sobre os andares inferiores.

Outro alvo foi o escritório de turismo em Lyon, que também foi incendiado. O prefeito Grégory Doucet classificou o episódio como uma tragédia para a cidade e disse à “BFMTV” que o prédio é histórico e emblemático. A polícia local relatou que grupos hostis impediram a atuação segura dos bombeiros. Já em Angers, manifestantes invadiram a prefeitura e a sede do governo regional, onde um princípio de incêndio foi contido por um funcionário.

Confrontos intensos e saques em Paris e Toulouse

Na capital francesa, a passeata principal ocorreu de maneira pacífica durante a tarde, mas a situação mudou com o anoitecer. Ruas e veículos foram incendiados, lojas sofreram saques e a tropa de choque utilizou gás lacrimogêneo e jatos d’água para conter os manifestantes. Em Toulouse, o ato culminou em barricadas, lixeiras queimadas e estabelecimentos comerciais saqueados.

O secretário-geral da união departamental da CGT no Alto Garona, Cédric Caubère, criticou duramente a atuação das autoridades ao declarar ao jornal “Le Monde”: “Responsabilizamos diretamente o prefeito regional e seu chefe de gabinete, assim como o primeiro-ministro, pelas ordens dadas à polícia”.

Expansão dos protestos pela Europa

O descontentamento com a economia e a moradia motivou atos simultâneos em nações vizinhas. Em Portugal, milhares marcharam em Lisboa contra a disparada nos preços dos aluguéis. Na Espanha, a crise habitacional pressionou o governo a convocar eleições antecipadas.

Na Itália, a polícia entrou em confronto com manifestantes em Milão e Bolonha, utilizando gás lacrimogêneo e jatos d’água. A Bélgica também registrou protestos de jovens em Bruxelas contra os custos da educação superior, resultando em intervenção policial e veículos virados.

Reação do governo e origens da mobilização

Diante do caos, o primeiro-ministro cobrou um posicionamento do partido França Insubmissa, afirmando que a situação atingiu um limite crítico e que é preciso escolher entre apoiar as leis ou os depredadores. O presidente Emmanuel Macron reforçou nas redes sociais que os responsáveis pelos ataques e saques enfrentarão a justiça.

Os atos tiveram início em setembro, impulsionados por estudantes secundaristas de Paris que exigiam mais professores e melhorias estruturais. Com o tempo, a pauta expandiu-se para abranger a insatisfação social generalizada, enquanto investigações apuram denúncias de excessos cometidos por agentes de segurança durante a repressão aos atos.

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