Pela primeira vez em duas décadas, Cuba ficou totalmente de fora do discurso de um representante da Venezuela na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), refletindo o abalo na parceria bilateral.
A sombra de Chávez e o distanciamento atual Durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, a aproximação entre Caracas e Havana era tratada como uma unidade indissolúvel. Contudo, a presidente interina Delcy Rodríguez omitiu qualquer citação à ilha em seu pronunciamento na ONU, um contraste gritante com os anos anteriores.
Novas diretrizes diplomáticas Pouco depois da incursão militar que resultou na prisão de Maduro em janeiro de 2026, Rodríguez defendeu o direito do país de negociar com diferentes nações. “[A Venezuela] é um país amigo. Aliado é uma palavra muito forte”, declarou Carlos Fernández de Cossío, vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba.
O fim da cooperação em segurança e inteligência Além da retórica, a mudança prática mais profunda aconteceu nos aparelhos de segurança do Estado venezuelano, que contavam com forte influência externa. “Eu diria que a presença mais importante de Cuba na Venezuela, que já não existe, era na área de contrainteligência”, pontuou Frank Mora, especialista em relações internacionais.
A operação americana e a saída de agentes A captura de Maduro expôs a presença militar cubana após a morte de dezenas de agentes da ilha no episódio. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Cuba “basicamente tentou colonizar a Venezuela na área de segurança”. Relatos indicam que o governo americano pressionou pela “descubanização” dos órgãos estratégicos venezuelanos.
O futuro incerto da diplomacia regional Enquanto missões médicas seguem ativas em solo venezuelano, o envio de petróleo para Havana permanece interrompido sob o controle dos Estados Unidos. Analistas apontam que, apesar do enfraquecimento dos laços, Havana evita confrontos diretos com Caracas para preservar canais de diálogo futuros.






