A disputa presidencial de 2026 tem o potencial de inaugurar uma nova fase na presença digital do campo progressista no Brasil, conforme aponta um estudo recente divulgado pela empresa especializada em análise de dados Bites.
Crescimento expressivo após o primeiro turno Logo após o término do primeiro turno em 4 de outubro e até o sábado seguinte (17.out.2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou uma marca 3,5 vezes superior em volume de interações nas plataformas digitais em comparação ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Nesse intervalo de 5 a 17 de outubro de 2026, o chefe do Executivo somou 110,7 milhões de interações distribuídas entre redes como X, Instagram, Facebook, TikTok e YouTube. Em contrapartida, o representante do PL registrou 31,3 milhões de interações considerando o mesmo recorte temporal e os canais oficiais de ambos os políticos.
Mudança de comportamento na campanha De acordo com a avaliação da Bites, os dados revelam uma clara reviravolta na condução da campanha digital da esquerda no pós-primeiro turno. O cenário anterior à votação mostrava um equilíbrio considerável no engajamento entre os dois concorrentes à presidência.
Entre 16 de agosto de 2026 — data que marcou o pontapé oficial da corrida eleitoral — e 4 de outubro, Lula contabilizou 83,8 milhões de interações e conquistou 1,4 milhão de novos seguidores. Simultaneamente, Flávio obteve 73,7 milhões de interações e ampliou sua base com 2,4 milhões de novos seguidores.
Novos protagonistas e redes de apoio A agência pontua que a resposta articulada pela campanha petista abriu caminhos para a atuação de novos expoentes digitais do espectro progressista, figuras que teriam ficado à margem da comunicação oficial do governo federal no decorrer dos quatro anos anteriores. O relatório destaca figuras como o deputado André Janones (Rede-MG) e a deputada eleita Ana Elisa (PT-MG).
Além disso, a pesquisa demonstra um rendimento superior por parte das contas associadas à esquerda em contraponto aos simpatizantes de Flávio desde o dia 5 de outubro. Ao analisar 915 perfis de relevância vinculados ao Partido dos Trabalhadores e 1.461 contas alinhadas ao bolsonarismo ou ao candidato liberal, constatou-se que o grupo progressista concentrou 22,9 milhões de seguidores, enquanto os apoiadores do adversário somaram 16,6 milhões. O cálculo médio apontou 25.087 seguidores por perfil petista contra 11.362 nas contas da ala opositora.
O papel dos influenciadores políticos O levantamento detalha ainda a atuação de grandes nomes da internet na disputa. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), apontado pela Bites como o principal expoente de influência da direita, acumula 40 milhões de seguidores, tendo gerado 42,5 milhões de interações desde o começo da campanha, além de angariar 1,3 milhão de novos seguidores.
Em contrapartida, André Janones, detentor de 17,5 milhões de seguidores, registrou um acréscimo de 3,7 milhões de adeptos desde o primeiro turno e alcançou 50,2 milhões de interações, superando o parlamentar mineiro da direita neste critério específico.
A pesquisa acrescenta que Janones esteve por trás da criação do canal Exército do Lula na plataforma WhatsApp, espaço que já contabiliza 5 milhões de participantes focados em impulsionar a militância e rebater a ofensiva da campanha de Flávio Bolsonaro.
Para os analistas da Bites, os patamares observados neste segmento sugerem que a nova dinâmica de mobilização na internet tem potencial para desafiar a supremacia da direita caso a tendência perdure, embora ainda seja prematuro dimensionar o alcance e a durabilidade desse impacto político.






