Home / Política / Polícia Federal aponta rombo bilionário em filme sobre Jair Bolsonaro

Polícia Federal aponta rombo bilionário em filme sobre Jair Bolsonaro

‘Dark Horse’: PF aponta divergência ‘severa’ entre recursos enviados ao exterior e os que retornaram ao Brasil para filme sobre Bolsonaro

A Polícia Federal identificou uma “divergência contábil severa” na movimentação de verbas destinadas à produção de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o órgão, foram enviados mais de US$ 12 milhões ao exterior, mas apenas US$ 2,8 milhões retornaram ao caixa nacional.

Origem dos recursos e o fundo Havengate

Os montantes milionários saíram da Entre Investimentos, empresa associada a Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. O destino foi o fundo Havengate, situado nos Estados Unidos e administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Diante do cenário, a corporação destacou que “Torna-se, portanto, indispensável submeter todo o acervo documental e bancário a um rigoroso exame pericial forense para confrontar os aportes internacionais, a contabilidade da produtora brasileira e o lastro das despesas declaradas”.

Suspeita de fachada e pedido de prorrogação

Os investigadores buscam esclarecer se os aportes financeiros serviram para viabilizar a película ou se o projeto “serviu como narrativa de cobertura para a ocultação, simulação e desvio de recursos”. A corporação solicitou ao Supremo Tribunal Federal mais 90 dias para aprofundar as apurações.

Em meados deste ano, a Go UP Entertainment informou que o orçamento total alcançou R$ 75,1 milhões, sendo R$ 54 milhões despendidos fora do país. A defesa declarou que “a perícia irá revelar a lisura e legalidade de todas as captações do financiamento desta obra extraordinária em apoio a esta iniciativa histórica de minha cliente GO UP”.

Frentes de apuração da Polícia Federal

O inquérito analisa três frentes principais, que incluem os repasses de Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro, o uso eventual da verba para manter Eduardo Bolsonaro nos EUA e o repasse de emendas parlamentares.

Eduardo Bolsonaro negou qualquer repasse financeiro irregular e ressaltou que sua situação migratória americana impede tais transações. Ele confirmou ter atuado como produtor-executivo e investido US$ 50 mil, valor que alega ter sido ressarcido sem qualquer ligação com o fundo de Vorcaro.

Envolvimento de emendas parlamentares

Outra linha de investigação, sob a tutela do ministro Flávio Dino, examina o repasse de R$ 2 milhões em verbas de emendas do deputado Mario Frias para ONGs geridas por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora do longa. Mario Frias, que também atua como roteirista do filme, negou que o dinheiro público tenha sido aplicado na produção cinematográfica.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *