O Centrão articula para debater ainda em 2025 uma reformulação profunda no sistema eleitoral brasileiro. O objetivo central das siglas é tentar frear a perda expressiva de espaço político para partidos de direita, com forte destaque para o PL.
Impacto das urnas e o efeito dos puxadores de voto
A movimentação ganhou força máxima após o resultado das eleições legislativas. O partido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assegurou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados para a próxima legislatura, configurando a maior bancada registrada desde 1988.
Sob a vigência do sistema proporcional atual, cada legenda conquista vagas conforme o somatório total de votos obtidos. Por causa disso, parlamentares com votações massivas — a exemplo de Nikolas Ferreira (PL-MG) — acabam elegendo colegas de bancada que obtiveram marcas bem menos expressivas.
Articulações políticas e a busca por sobrevivência
Na última quarta-feira (14), dirigentes de 10 legendas se encontraram com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na ocasião, além de sacramentar o apoio à reeleição do deputado para o comando da Casa, o grupo colocou a reforma eleitoral na mesa.
Para integrantes do bloco, o formato vigente fomenta a chamada “indústria de candidatos”. Lideranças presentes no encontro também mencionam a necessidade de “autosobrevivência” do Centrão, visto que o PL avançou exatamente sobre as cadeiras historicamente ocupadas por essas legendas.
Apesar da pressa de alguns deputados em votar o tema antes de 2027 — período em que o PL terá uma bancada ainda mais robusta e resistente a mudanças —, falta harmonia interna. Cada sigla defende um formato próprio que garanta vantagens específicas, gerando divergências inclusive entre presidentes partidários e suas respectivas bases.
Um parlamentar presente na reunião que preferiu não se identificar resumiu o ceticismo geral: “Não acredito em mudança no sistema eleitoral. Ali cada um tem uma ideia diferente”.
Modelos em debate na Câmara dos Deputados
Duas principais alternativas dominam os debates no parlamento:
* Distrital misto: Apoiado principalmente por dirigentes partidários, prevê a divisão dos estados em distritos. Metade das vagas seria ocupada pelos mais votados localmente, enquanto o restante viria de listas fechadas elaboradas previamente pelos partidos. * Distritão: Defendido por parlamentares e pelo Podemos, transforma a disputa para deputado em eleição majoritária, nos moldes do Senado. O modelo elimina os puxadores de voto, mas sofre forte oposição dos caciques partidários por enfraquecer o poder das siglas e favorecer os “candidatos influencers”, além de exigir uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Próximos passos e articulação com o Senado
A agenda de negociações prevê um novo encontro entre líderes aliados a Hugo Motta na próxima terça-feira, na residência oficial da Presidência da Câmara, com o propósito de organizar as propostas e iniciar a redação de um texto unificado. Posteriormente, uma reunião com presidentes de partidos está agendada para o dia 28 de outubro. O deputado Domingos Neto (PSD-CE), relator do projeto sobre o modelo distrital misto, deve integrar os debates.
Paralelamente, alas do parlamento defendem a inclusão imediata do Senado Federal e de seu presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), nas tratativas. A meta é alinhar as duas Casas legislativas desde o início para prevenir impasses e evitar que eventuais alterações nas regras fiquem travadas no Senado, cenário recorrente em tentativas anteriores de reforma política.






