O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta sexta-feira (16.out.2026), da sessão solene para a promulgação da PEC que extingue a escala 6×1. Durante o evento realizado no Senado Federal, o chefe do Executivo criticou a resistência histórica contra a ampliação de garantias para a classe trabalhadora.
A ironia do presidente sobre as férias Em seu discurso na cerimônia, o mandatário ironizou os argumentos contrários aos benefícios da classe trabalhadora ao disparar: “Para trabalhador, férias levam à bebida; para rico, a Paris”.
Em seguida, o presidente detalhou a realidade econômica da população de baixa renda durante os períodos de descanso remunerado, ressaltando que a falta de recursos financeiros impede viagens de lazer. “Por que o trabalhador fica em casa? Porque, quando tira férias, não tem dinheiro para viajar. Ele vai encher uma laje na casa do amigo, vai cavar um poço na casa do amigo, vai fazer o encanamento na casa do amigo, vai fazer a parte elétrica da casa do amigo. Ou seja, o povo trabalhador vive se virando o tempo inteiro e nunca tem tempo de viajar. Nunca tem dinheiro para viajar. Mas isso não tira dele o direito de descansar”, declarou Lula.
Repercussão política e oposição A votação da proposta de redução da jornada de trabalho gerou debates intensos e enfrentou resistência de setores opositores. O senador e adversário de Lula na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), manifestou receio em relação aos impactos que a mudança provocaria no mercado de trabalho formal.
Apesar das ressalvas, Flávio acabou votando a favor do fim da escala 6×1 após avaliações estratégicas de sua campanha apontarem desgaste político em caso de voto contrário. Para Lula, a postura da oposição reflete um comportamento recorrente na política nacional. “é crônico” na história da política brasileira que “toda vez que a sociedade conquista alguma coisa, aparece uma turma de um segmento da sociedade que não concorda, dizendo que não vai dar certo”.
Contexto da campanha e eleições 2026 A extinção da escala 6×1 consolidou-se como um dos pilares da campanha de Lula rumo a um quarto mandato presidencial. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o petista ficou atrás de Flávio Bolsonaro na contagem de votos. Diante disso, a campanha intensificou a divulgação de pautas sociais na reta final para o segundo turno, agendado para o dia 25 de outubro.
Um levantamento do instituto Datafolha divulgado na véspera da promulgação apontou os dois principais concorrentes tecnicamente empatados na disputa, com leve vantagem numérica para Flávio Bolsonaro (PL), que registra 51% dos votos válidos contra 49% de Lula (PT).






