O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, participou nesta quinta-feira (15) de uma entrevista exclusiva conduzida pela jornalista Renata Lo Prete nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Transmitida ao vivo após o Jornal Nacional, a conversa integrou a cobertura oficial do segundo turno das Eleições 2026. A programação de sabatinas prevê ainda a participação do candidato Flávio Bolsonaro (PL) na sexta-feira (16), com ordem definida previamente por sorteio entre as campanhas.
Operação da Polícia Federal no Rio
Durante a sabatina, o candidato abordou ações recentes da polícia e mencionou aliados do adversário político. A declaração “Hoje a PF esteve no Rio de Janeiro interferindo numa das pessoas importantes do clã do Bolsonaro [referência a Márcio Canella], que foi preso, e a mãe do Flávio [Bolsonaro] ia ser suplente dele [Canella] na Senado.” foi classificada como fato.
O deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) foi detido na manhã da mesma quinta-feira (15) durante a 8ª fase da Operação Unha e Carne. O político havia renunciado à prefeitura de Belford Roxo para tentar uma vaga no Senado. Registros em redes sociais e movimentações partidárias anteriores confirmavam que a mãe de Flávio Bolsonaro, Rogéria Nantes Braga Bolsonaro, integraria a chapa como primeira suplente, embora alterações tenham ocorrido após desdobramentos judiciais.
Contas públicas e superávit
No campo econômico, o petista abordou os números fiscais de sua gestão e do governo anterior. Uma das falas analisadas foi: “É importante lembrar que nós apresentamos um orçamento com superávit primário, 0,1%, é pouco. Mas é importante lembrar que eu peguei com um déficit de 2,8%.”
A primeira parte da afirmação, referente à previsão de superávit primário de 0,1% no orçamento para 2027 enviado ao Congresso Nacional, é considerada verdadeira. Por outro lado, o trecho que aponta a herança de um déficit de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) ao iniciar o terceiro mandato foi classificado como falso.
Histórico fiscal e dados do Tesouro
Documentos oficiais do Tesouro Nacional indicam que o ano de 2022, final da gestão de Jair Bolsonaro, registrou superávit de 0,5% do PIB. O déficit de 2,1% do PIB ocorreu efetivamente no primeiro ano do atual mandato, em 2023, influenciado pelo pagamento de precatórios e outras despesas judiciais acumuladas.
Para o fechamento de 2026, as projeções oficiais apontam um déficit primário efetivo de 0,4% do PIB, indicador que se converte em superávit de quase 0,1% quando aplicados os abatimentos previstos na legislação fiscal vigente.






