O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (15), durante entrevista à Globo concedida à jornalista Renata Lo Prete, que o crescimento econômico é o caminho ideal para solucionar o desafio fiscal do país, rejeitando medidas de austeridade que recaiam sobre as camadas mais vulneráveis.
Preocupação com o endividamento estatal
Questionado sobre a trajetória de alta no endividamento do governo e as advertências feitas por especialistas em economia, o chefe do Executivo reconheceu a gravidade do cenário e relembrou sua trajetória pessoal para ilustrar sua percepção sobre o tema.
“Você acha que eu não estou preocupado? Eu estou preocupado. Eu criei uma família com cinco filhos. Eu sei o que é dívida”, declarou.
A sabatina também abordou a política de juros conduzida pelo Banco Central, liderado por Gabriel Galípolo, e a avaliação da instituição financeira de que o modelo focado no estímulo ao consumo teria chegado ao limite.
Histórico de ajuste fiscal e impacto social
O mandatário argumentou que as estratégias tradicionais de balanceamento das contas públicas costumam penalizar as classes menos favorecidas, defendendo em contrapartida a expansão do crédito e o fomento à microeconomia para fazer o dinheiro rodar na mão do povo.
“O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia ficar crescendo”, afirmou Lula. “Eu estou com 80 anos de idade, eu vivo isso há 50 anos, dessa briga: toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. Toda vez, é o povo pobre. Eu não quero que o povo pague”, disse.
Para fundamentar sua tese, o presidente resgatou os indicadores financeiros de seus mandatos anteriores, mencionando a liquidação da dívida junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a consolidação de robustas reservas internacionais.
“Porque o único jeito de você fazer o déficit, com relação à dívida, diminuir é crescer a economia, [e não] cortar [do] pobre”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de alterar os rumos econômicos caso conquiste um novo mandato, o político foi direto:
“Estou propondo não cortar dinheiro dos pobres”.
Por fim, o governante reiterou que compreende os riscos de uma desorganização orçamentária e destacou que eventuais descontrole nas contas públicas acabam gerando impactos mais severos justamente sobre os setores sociais de menor renda.
“Eu sei o que é dívida. Eu sei que, se a gente perdeu o controle do nosso orçamento, a coisa quebra e vai quebrar do lado mais fraco”, declarou.






