Uma pesquisa realizada pelo instituto Quaest e divulgada nesta quarta-feira (14) revela que a proibição das bets no país, o encerramento da jornada de trabalho conhecida como escala 6×1 e a redução da maioridade penal para 16 anos encabeçam a lista de propostas defendidas por Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) com maior aceitação entre os eleitores brasileiros.
Metodologia e alcance do levantamento O estudo da consultoria ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de outubro. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. O registro oficial da pesquisa junto à Justiça Eleitoral está sob o número BR-08729/2026, abrangendo doze temas distintos ligados aos principais atores políticos do cenário nacional.
As pautas com maior respaldo na opinião pública De acordo com o diretor da Quaest, Felipe Nunes, Lula tem a seu favor as propostas para proibição das bets, o fim da escala 6×1, o aumento do salário mínimo todo ano e zerar imposto da cesta básica, enquanto o “pacote para MEIs tem potencial positivo, mas ainda está pouco disseminado”, diz Nunes.
Por outro lado, o especialista aponta que são temas positivos para Flávio Bolsonaro a redução da maioridade penal, a classificação das facções criminosas como terroristas e o impeachment dos ministros do STF, enquanto “a proposta de pagamento por hora divide opiniões”.
Análise de rejeição e temas polêmicos O diretor da Quaest considera que são desaprovadas, entre as propostas do senador, a anistia para os condenados de 8/1, o fim da reeleição com mandato de 5 anos e a restrição no mandato dos ministros do STF.
Para mapear a percepção pública, os pesquisadores indagaram os participantes se eles conheciam e qual era o veredito sobre cada medida, disponibilizando cinco alternativas de resposta, desde o conhecimento prévio com aprovação ou rejeição até a falta de familiaridade com o tema.
Detalhamento da aceitação popular por tema No topo da lista, a proibição total das apostas de quota fixa, jogos online e cassinos virtuais — implementada pelo governo em 25 de setembro — registrou 64% de conhecimento prévio e aprovação, ante 17% que já sabiam e desaprovavam. Logo em seguida, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas e garantir dois dias de folga obteve 61% de aprovação entre os que já conheciam a medida.
No campo da segurança pública, a redução da maioridade penal para 16 anos, além de 14 anos em casos específicos de estupro, empatou com o mesmo patamar de 61% de aprovação por parte de quem já conhecia a pauta defendida pelo senador. Outras iniciativas econômicas e sociais também pontuaram alto, como a manutenção do ganho real do salário mínimo acima da inflação anual, avaliada positivamente por 59% dos entrevistados que já tinham ciência da regra.
Isenções fiscais e medidas punitivas A desoneração total dos produtos da cesta básica, zerada em março de 2025 e mantida para a reforma tributária do próximo ano, conquistou 50% de aprovação dos eleitores que já conheciam a ação governamental. Já a tipificação de facções criminosas e milícias como atos de terrorismo registrou 48% de respaldo entre os que já sabiam da proposta, alinhando-se aos debates sobre o endurecimento do combate ao crime organizado.
No polo oposto de conhecimento e aceitação, pautas como a fixação de mandatos de 10 a 12 anos para ministros do Supremo Tribunal Federal somaram maior índice de desconhecimento, com 32% dos consultados afirmando que não sabiam do assunto e que a ideia não parecia boa, evidenciando as divergências na opinião pública sobre as reformas estruturais do país.






