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Racha interno no PT provocou adiamento da votação da PEC da segurança pública, revela governo

Desentendimento no PT ajudou a adiar votação da PEC da Segurança, diz José Guimarães

A suspensão da análise da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública no Senado foi motivada por um conflito interno entre parlamentares petistas, permitindo que adversários políticos aproveitassem a divisão para paralisar a sessão.

O fator da maioridade penal

A decisão de retirar o item da pauta aconteceu em meio a impasses sobre modificações sugeridas ao texto principal, incluindo propostas para alterar a idade de responsabilização criminal. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apontou a ausência de consenso sobre essas emendas como o principal motivo para o adiamento.

Segundo o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, a diretriz estabelecida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva era votar a proposta original sem modificações, direcionando quaisquer sugestões adicionais para uma tramitação separada.

“Houve um desentendimento, existia uma orientação, pelo que fui informado pelo relator da matéria, Rogério Carvalho, do presidente da República de orientar hoje pela manhã a discussão e votação da PEC sem nenhuma emenda”, declarou o ministro José Guimarães.

O chefe da articulação política do governo também detalhou como o cenário de instabilidade interna beneficiou a bancada rival: “E as emendas que existiam, tanto do Rogério Marinho, como do senador Camilo, iriam tramitar em PEC paralela, não misturar os assuntos com a PEC da Segurança, o que foi aprovado na Câmara, aprovado na CCJ do Senado. Houve essa confusão e essa confusão acabou paralisando a votação, a oposição percebeu a fragilidade na unidade do PT e terminou ajudando a oposição ajudando na suspensão da sessão”.

Divergências na base governista

O racha ficou evidente quando o senador Camilo Santana (PT-CE) apresentou uma emenda propondo a diminuição da maioridade para 16 anos em situações de crimes hediondos, contrariando a postura histórica da legenda contra esse tipo de alteração penal.

Diante do impasse e da falta de garantia de votos suficientes tanto para governistas quanto para oposicionistas aprovarem suas respectivas emendas, a alternativa foi postergar a deliberação.

Para o líder governista, o debate sobre o tema é pertinente, mas exige profundidade e tempo adequado: “Vamos botar essa discussão dentro da PEC, que aliás abordamos na Câmara, tem uma PEC tramitando lá que trata do tema, nós vamos discutir na hora certa e não misturar alhos com bugalhos. Essa é a posição do governo”.

Por fim, o senador Jaques Wagner (PT-BA) esclareceu que o Palácio do Planalto não solicitou formalmente o adiamento da pauta, admitindo apenas a ausência de entendimento com a oposição para separar a discussão em uma proposta autônoma, sem descartar uma nova tentativa de votação na semana seguinte.

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