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PGR é contrária ao afastamento de Andrei Rodrigues da Polícia Federal

PGR se manifesta contra o afastamento de Andrei Rodrigues

Em parecer protocolado no Supremo Tribunal Federal na noite de terça-feira (13.out.2026), a Procuradoria-Geral da República manifestou-se contrária ao afastamento de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. O documento também rejeita a medida aplicada ao diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, apontando a ausência de justificativas legais consistentes para a sanção.

Assinaturas e posicionamento jurídico

O documento oficial leva a assinatura do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do vice-PGR, Hildebrando Chateaubriand, além de dois subprocuradores-gerais da República, Antônio Teixeira e André Ramos.

“A qualificação negativa do comportamento das autoridades policiais, para acarretar a drástica medida de afastamento, precisaria estar acompanhada de evidências da participação imprópria em atos ilícitos, o que, com a vênia devida, não se logrou estampar na decisão impugnada”, diz o parecer.

Segundo o órgão ministerial, a mera posição hierárquica ocupada pelos servidores não justifica a responsabilização por supostas irregularidades, sendo imprescindível a indicação clara e específica de condutas suspeitas.

Riscos institucionais e impacto sistêmico

O ministério público destacou ainda que a remoção dos cargos de comando da PF pode gerar consequências sistêmicas graves, ultrapassando os limites de um único processo judicial e configurando um verdadeiro “risco à ordem pública”.

Os dirigentes haviam sido afastados inicialmente em 8 de setembro por ordem monocrática do ministro André Mendonça. A decisão ocorreu no âmbito das investigações da operação Compliance Zero e apontava suposta participação da dupla em monitoramento irregular e na elaboração de relatórios apócrifos sobre as atividades do próprio ministro, sem aval do plenário da Corte.

Batalha de decisões na Corte

A punição aplicada por Mendonça ocorreu sem consulta prévia à PGR. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino reverteu a suspensão, alertando sobre prejuízos a apurações em andamento. Posteriormente, o presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, anulou tanto o afastamento quanto a reintegração com o propósito de restabelecer a estabilidade institucional.

A operação Compliance Zero apura esquemas de fraudes financeiras de valores bilionários e esquemas de propina envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, criador do Banco Master — instituição financeira que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro do ano anterior em decorrência de indícios de administração temerária.

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