Uma campanha voltada ao incentivo do cadastro para a doação de medula óssea conseguiu atrair 163 novos voluntários em Itu, no interior paulista, durante uma mobilização realizada na última terça-feira (13).
Mobilização no Hospital Amaral Carvalho
A iniciativa ocorreu no ambulatório de quimioterapia do Hospital Amaral Carvalho (HAC), localizado nas dependências da Santa Casa de Itu, contando com a colaboração de soldados do Exército brasileiro e de civis engajados na causa.
Os dados genéticos de cada participante foram inseridos no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). A expansão contínua desse banco de dados é considerada fundamental por especialistas, visto que a probabilidade de localizar um doador compatível que não pertença à mesma família é de apenas uma em 100 mil.
Motivação dos voluntários
Entre os novos cadastrados está Juliana Arpi, que decidiu participar do mutirão impulsionada pela perspectiva de poder ajudar alguém que enfrenta uma grave enfermidade. “A gente sabe que pode ser que salve e mude a história de alguém”, diz.
O evento também teve um significado especial para Karina Bacini, cuja filha Maria Clara, de 14 anos, tem leucemia e aguarda há quatro meses pela oportunidade de realizar o transplante que representa a esperança de cura.
Durante o evento, Karina aproveitou para destacar um problema comum que dificulta o trabalho das equipes de saúde. “Algo que acontece muito e nós notamos nessa ação é que muitas pessoas já tinham feito o cadastro muitos anos atrás, e agora o cadastro estava desatualizado. Mudou o telefone, endereço e às vezes a pessoa é compatível e o cadastro está desatualizado. Então a gente também reforça para quem já se cadastrou uma vez, atualizar os dados no Redome”, pontua Karina.
Critérios e etapas para o cadastro
Para integrar o grupo de potenciais doadores, é necessário cumprir alguns requisitos básicos: ter idade entre 18 e 35 anos, apresentar boa saúde geral e portar um documento oficial de identificação com foto ao comparecer a um hemonúcleo municipal.
O procedimento inicial envolve o preenchimento de um formulário com informações cadastrais e a extração de uma pequena amostra de sangue, processo indispensável para mapear as características genéticas do indivíduo.
Caso o voluntário seja selecionado futuramente por apresentar compatibilidade com algum paciente, ele passará por etapas adicionais, incluindo uma nova avaliação médica e exames complementares antes da efetivação da doação.
Evolução dos tratamentos hematológicos
O médico João Guilherme de Almeida Prado Franceschi, diretor de relacionamento do Hospital Amaral Carvalho, explicou que o banco nacional de doadores representa um marco na história dos tratamentos para patologias graves, como linfomas e leucemias.
“A grande maioria dos transplantes eram de alguém da família, […] mas a gente foi evoluindo para os tratamentos com os não aparentados, que é os doadores do Redome, e evoluímos mais ainda com os ‘autólogos’, que é quando o próprio paciente consegue ser seu próprio doador”, afirma.






