A disputa pelo governo do Acre no segundo turno coloca em evidência os planos de Mailza Assis (PP) e Alan Rick (Republicanos) para sanar as deficiências da saúde pública estadual. Marcada para o dia 25 de outubro, a nova etapa da eleição traz divergências nas estratégias de ambos para enfrentar problemas históricos como a superlotação e a escassez de recursos nas unidades médicas.
No primeiro turno realizado em 4 de outubro, Mailza alcançou 218.760 votos (49,76% dos válidos), enquanto Alan Rick somou 141.859 votos (32,27%), conforme dados consolidados pela Justiça Eleitoral após a apuração total das urnas.
O cenário crítico da rede estadual e a demanda popular
A urgência de intervenções no setor é respaldada por estatísticas e fiscalizações recentes. Em agosto do ano passado, uma vistoria realizada por auditores do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) no Pronto-Socorro de Rio Branco identificou acompanhantes deitados no chão, tetos com o forro danificado e escassez de medicamentos.
Além disso, uma pesquisa Quaest divulgada em 25 de setembro revelou que a saúde é considerada o principal problema do estado por 30% dos entrevistados, impulsionando os candidatos a detalharem medidas para mitigar as longas esperas por consultas, exames, cirurgias e ampliar a capacidade estrutural hospitalar.
As diretrizes do plano de governo de Mailza Assis
A candidata à reeleição aposta na humanização dos serviços e na expansão do atendimento regionalizado. Para diminuir o tempo de espera dos pacientes, o programa prevê a expansão da iniciativa Opera Acre e a adesão ao projeto federal Agora Tem Especialistas.
Na área preventiva e de atenção básica, o plano destaca o fortalecimento do pré-natal de alto risco, além de ações contínuas de combate aos cânceres de mama e do colo do útero — período entre 2023 e 2025 que registrou 391 novos diagnósticos da doença mamária no estado. A criação da Linha Estadual de Cuidado Integral para endometriose, o avanço da telessaúde para localidades isoladas e a reestruturação da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) também integram as metas.
No tocante à infraestrutura, a chapa propõe elevar o número de leitos de UTI, ampliar os centros de terapia renal e finalizar a construção da Maternidade Marieta Messias Cameli, cujas obras já se estendem por quatro anos.
As estratégias propostas por Alan Rick
O plano do candidato oposicionista foca na descentralização da rede e no fortalecimento dos hospitais localizados no interior, buscando diminuir a necessidade de deslocamento dos pacientes até a capital Rio Branco.
Entre os compromissos assumidos estão a finalização e o equipamento do Hospital João Câncio Fernandes (em Sena Madureira), a reforma do Hospital Geral Dr. Baba (em Feijó) e o incremento no quadro de médicos especialistas no Hospital Regional do Alto Acre (em Brasiléia), além da estruturação de hemonúcleos nas regiões do Juruá, Tarauacá/Envira e Alto Acre.
Para a capital, o projeto prevê a edificação de um Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, que abrangeria um Centro Estadual de Trauma, um núcleo especializado em AVC e centros cardiovasculares e neurológicos. Na estrutura atual do Pronto-Socorro, o candidato planeja redefinir o fluxo de atendimento, dar maior protagonismo às UPAs para casos leves e instituir áreas dedicadas a demandas de média complexidade, como salas amarelas e de curativos.






