Com pouco mais de 108 mil votos nas urnas baianas, Maria Marighella (PT) garantiu sua eleição para o cargo de deputada federal em 2026. A parlamentar é neta do guerrilheiro comunista Carlos Marighella, que também atuou no Congresso Nacional após ser eleito deputado federal em 1946 pela legenda do PCB.
Trajetória e atuação na cultura Aos 50 anos, a nova deputada é filha de Carlos Augusto Marighella, único herdeiro do histórico militante. Formada em artes cênicas pela Universidade Federal da Bahia, construiu uma sólida carreira como atriz, professora e produtora teatral, além de ter exercido cargos na gestão pública da cultura, como a presidência da Fundação Nacional de Artes (Funarte), cargo que ocupou entre 2023 e 2026 após deixar a Câmara Municipal de Salvador, onde atuava como vereadora desde 2020.
Experiência na administração pública Antes de liderar a Funarte, Maria comandou a Coordenação de Teatro da instituição durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff entre 2015 e 2016. Na capital baiana, esteve à frente da criação da Frente Parlamentar Mista Ambientalista e integrou o Conselho Municipal de Política Cultural, além de acumular passagens pela Fundação Cultural do Estado da Bahia e pela Academia de Letras da Bahia.
Apoio de grandes nomes da classe artística A disputa pela vaga no Legislativo federal contou com forte engajamento de expoentes da cultura nacional. Entre os apoiadores da campanha estiveram o cantor Caetano Veloso, a cantora Daniela Mercury, o ator Silvero Pereira e o ator e diretor Wagner Moura, responsável pela direção da cinebiografia que retratou a vida de seu avô nos cinemas em 2021, estrelada pelo cantor e ator Seu Jorge, que também declarou apoio político à candidata.
O legado histórico de Carlos Marighella A conquista da cadeira no parlamento marca o retorno da família ao cenário legislativo federal. O avô da deputada exerceu o mandato de deputado federal constituinte pela Bahia pelo Partido Comunista do Brasil até janeiro de 1948, quando teve o mandato cassado após o cancelamento do registro da sigla pela Justiça Eleitoral. Anos mais tarde, rompeu com o partido em 1967 por desavenças ideológicas e fundou a Ação Libertadora Nacional, organização de oposição ao regime militar que participou de ações armadas, culminando em sua morte em 4 de novembro de 1969, em São Paulo, durante operação de agentes do Departamento de Ordem Política e Social.






