Morador do bairro Senador Hélio Campos, localizado na zona Oeste de Boa Vista, o líder comunitário Altevir Gonçalves de Souza, de 55 anos, conseguiu na Justiça o fornecimento de uma prótese para a perna direita avaliada em R$ 9,8 mil. O equipamento foi conquistado com a atuação da Defensoria Pública de Roraima (DPE-RR), que precisou acionar o poder judiciário para que a Secretaria de Saúde (Sesau) disponibilizasse o item.
Luta por direitos na saúde
Antes de receber a perna mecânica e iniciar a adaptação, Altevir dependia exclusivamente de muletas e bengalas para se locomover no dia a dia. A trajetória até a decisão favorável exigiu insistência jurídica, pois o pedido inicial havia recebido duas sentenças desfavoráveis. Somente após a apresentação de novos laudos médicos e exames de imagem pela DPE-RR é que a Justiça deferiu o pedido, determinando o bloqueio de recursos das contas públicas do estado para custear a aquisição.
A assessora jurídica Carla Renata Milhomem, que atua na Defensoria Especializada para Tutela e Defesa dos Direitos à Saúde Pública (DESP), destacou que a atuação do órgão vai além da esfera judicial.
“Garantir o direito à saúde não termina quando a Justiça dá uma decisão favorável; é preciso acompanhar até que isso se concretize na vida do paciente. Por trás de cada processo existe uma pessoa, uma história e uma vida que pode ser transformada”, afirmou.
Histórico de saúde e superação
A necessidade de amputação ocorreu após uma série de complicações decorrentes de uma fratura exposta sofrida em 2021. Na ocasião, a motocicleta conduzida por Altevir foi atingida por um automóvel no cruzamento entre as avenidas Brigadeiro Eduardo Gomes e Capitão Ene Garcêz. Foram necessárias nove cirurgias e três anos de internações em uma tentativa sem sucesso de salvar o membro, período marcado pelo combate persistente a uma infecção por bactéria hospitalar.
Sobre a busca pelo equipamento, o morador explicou os obstáculos iniciais.
“Pelo fato de o valor de uma prótese ser altíssimo, me deram a dica de ir até a Secretaria de Saúde atrás do meu direito para que providenciassem o equipamento. Quando fui lá, me informaram que teria que procurar a Defensoria Pública para, por meio judicial, forçar o bloqueio nas contas do governo e assim eu fiz”, contou.
Impacto emocional e autonomia
A perda da mobilidade gerou profundas consequências psicológicas, incluindo episódios de ansiedade devido à dependência de terceiros para realizar tarefas cotidianas básicas.
“Perder a autonomia que eu tinha antes e depender dos outros para a rotina diária foi uma experiência muito difícil”, relatou.
Com a instalação da prótese e os avanços na reabilitação, o cenário mudou drasticamente para o morador, que já recuperou grande parte de sua capacidade de locomoção.
“A prótese mudou a minha vida. Antes era difícil ter que ficar pulando de muleta e bengala, mas hoje já recuperei 90% da minha mobilidade e estou conseguindo me reabilitar a cada dia. O que eu mais queria era recuperar minha mobilidade para voltar a promover meus eventos no bairro”, afirmou.
Retomada dos projetos sociais
Antes do acidente, Altevir era amplamente conhecido por organizar atividades esportivas, culturais e sociais na região do Campo do Cachorrão, iniciativas que tiveram de ser interrompidas devido às limitações físicas. Agora, com a nova realidade, o planejamento é retomar o engajamento comunitário.
“Minha autoestima voltou, minha qualidade de vida voltou. Agora quero continuar promovendo os eventos e ações sociais que sempre realizei na comunidade”, afirmou.






