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Campanha de Flávio Bolsonaro aponta exclusão de mensagens em canal de Janones

Janones apagou 499 conteúdos do grupo Exército de Lula

Um levantamento elaborado pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, aponta que o deputado federal André Janones (Rede-MG) apagou 499 publicações do canal de WhatsApp “Exército do Lula”. O grupo de mensagens reúne mais de 4 milhões de seguidores e atua em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal adversário na disputa pelo 2º turno da eleição presidencial.

Como funcionava a dinâmica de exclusão no WhatsApp

De acordo com a equipe de Flávio Bolsonaro, a remoção em massa dos registros justificaria o motivo pelo qual a área técnica do Tribunal Superior Eleitoral não encontrou as supostas fake news que fundamentaram o pedido inicial de suspensão do canal. O espaço digital administrado por Janones era utilizado para distribuir propaganda favorável ao atual chefe do Executivo e críticas severas ao parlamentar do PL.

Conforme a representação apresentada à Justiça Eleitoral, o deputado enviava orientações, chamadas de “missões”, para que os inscritos repassassem os materiais para outros contatos e grupos. A acusação aponta que os textos disseminavam informações falsas e ataques. Entre os tópicos que teriam sido apagados estão acusações de crimes contra o ministro do TSE André Mendonça e boatos de que Flávio, caso vencesse o pleito, cortaria aposentadorias e extinguiria o BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Prints anexados ao relatório ilustram a estratégia de operação do parlamentar mineiro: primeiro o link era publicado, depois vinha a ordem de compartilhamento em larga escala e, por fim, o conteúdo original sumia do painel.
“Sempre que vocês cumprirem uma missão curta, como essa, eu vou deletar para não poluir aqui, ok? Essa matéria da página do [Luiz] Bacci já vou apagar”, escreveu Janones em 11 de outubro de 2026.

Disputas judiciais e decisões no Tribunal Superior Eleitoral

O canal virou o epicentro de uma série de embates nos tribunais. Em 7 de outubro, a defesa de Flávio protocolou na Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral uma Aije (ação de investigação judicial eleitoral) contra Janones, Lula e o candidato a vice Geraldo Alckmin (PSB), apontando abuso de poder político e econômico. Dias depois, o corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, deu prazo para manifestações e exigiu esclarecimentos do senador sobre pedidos duplicados.

Paralelamente, a defesa levou um pedido urgente de providências à Presidência do TSE. No dia 11 de outubro, o ministro Kassio Nunes Marques ordenou que a Meta suspendesse o canal em até três horas. No entanto, Cueva determinou posteriormente o restabelecimento provisório do espaço de mensagens até que o plenário da Corte analise o mérito da controvérsia, ponderando que a existência de publicações irregulares não autorizaria, de forma isolada, o bloqueio total.

Em nota técnica enviada ao processo, a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação confirmou que não localizou, nas mensagens analisadas entre 2 e 11 de outubro, as irregularidades que motivaram a sanção inicial. A equipe técnica ressaltou, contudo, que identificou estratégias de amplificação coordenada e destacou que a prática constante de apagar e editar postagens prejudica a apuração completa do histórico do canal.

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