Entre janeiro e setembro deste ano, a rede pública de saúde do Acre aplicou um total de 34.376 doses de vacinas voltadas para a prevenção do sarampo em todo o território estadual, conforme repassado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).
Cobertura vacinal e histórico
O balanço parcial divulgado aponta que a primeira dose (D1) atingiu uma marca de 93,08% de cobertura. Por outro lado, a aplicação da segunda dose (D2) segue em patamar inferior, registrando 68,41%. Os dados foram extraídos por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), sem o detalhamento geográfico por município.
Historicamente, a série estatística indica que o ano de 2025 registrou o maior volume de aplicações no estado, com 78.808 doses, seguido por 2018, que contabilizou 52.195. Em sentido oposto, o menor índice histórico recente ocorreu em 2021, quando foram administradas apenas 21.536 doses.
Pacientes diagnosticados e atendimento
A mobilização sanitária ocorre após a confirmação, anunciada pelo governo estadual, de duas infecções por sarampo em moradores de Puerto Maldonado, no Peru. Os diagnósticos envolvem uma criança de 11 meses e uma mulher de 30 anos, ambos atendidos inicialmente em Rio Branco. O último caso autóctono havia sido computado no estado no ano 2000.
A confirmação laboratorial final foi emitida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), após triagem inicial por RT-PCR. Antes do diagnóstico, os infectados transitaram por Assis Brasil e Brasiléia, regiões fronteiriças. O quadro clínico exige atenção: a criança de 11 meses está internada em uma unidade de terapia intensiva (UTI) de Rio Branco e apresenta quadro grave. Já a mulher de 30 anos também está hospitalizada, mas não apresenta sinais de gravidade, segundo a Sesacre.
Estratégia de imunização e prevenção
Diante do cenário, equipes de vigilância deflagraram monitoramento de contatos e planejam bloqueios vacinais estratégicos em Brasiléia, no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) e no Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into). A força-tarefa une a Sesacre, o Ministério da Saúde, o Cievs, o Lacen, gestões municipais e autoridades peruanas.
O esquema de imunização atual estabelece diretrizes específicas por faixa etária: a dose zero é destinada a bebês de 6 a 11 meses com a Tríplice Viral da Merck (MSD); pessoas de 5 a 29 anos devem atualizar duas doses com intervalo mínimo de 30 dias; o público de 30 a 59 anos e os idosos a partir de 60 anos precisam de uma dose caso não tenham comprovação prévia. Para os trabalhadores da saúde, a exigência é de duas doses comprovadas, sem restrição de idade. A autoridade sanitária reforça a necessidade de checar a caderneta e procurar os postos de atendimento ao notar sintomas como febre, exantema cutâneo, tosse, coriza ou conjuntivite.






