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Japonês mergulha há mais de uma década para encontrar esposa perdida

Sua mulher foi levada por tsunami e ele passou anos mergulhando para estar perto dela

Duas vezes por mês, Yasuo Takamatsu embarca em um barco pesqueiro no porto de Onagawa, na província de Miyagi, para mergulhar nas águas geladas do nordeste japonês em busca da esposa, Yuko, desaparecida desde o tsunami de 2011.

A tragédia do tsunami e a última mensagem O desastre foi desencadeado por um violento terremoto submarino de magnitude entre 9.0 e 9.1 que atingiu a costa japonesa. Naquela manhã, Takamatsu havia deixado a esposa no banco onde trabalhava, e os dois conversaram sobre o jantar durante o trajeto.

Quando os alarmes soaram, Yuko e doze colegas buscaram refúgio no telhado da agência bancária, de onde ela enviou uma mensagem ao marido: “Você está bem? Quero ir para casa.” Acreditando que ela estava a salvo, ele só descobriu o paradeiro da mulher no dia seguinte, ao procurar sobreviventes no hospital municipal.

“Me disseram que ela tinha sido levada pelo tsunami”, diz Takamatsu. “Depois disso, eu simplesmente não conseguia ficar de pé. Perdi todas as minhas forças, como se elas também tivessem sido levadas pela água.”

A busca que virou rotina subaquática Enquanto milhares de corpos eram encontrados com o recuo das águas, Yuko permaneceu na lista de desaparecidos. Após passar dois anos acompanhando equipes de resgate da Guarda Costeira, Takamatsu decidiu tirar sua licença de mergulho aos 50 e poucos anos para procurar a esposa por conta própria.

“Aprendi a mergulhar. Sentia que, se continuasse mergulhando, um dia poderia encontrá-la”, afirma Takamatsu. Ao longo de mais de uma década, ele já realizou mais de 760 mergulhos solitários nas profundezas da região.

Rituais de despedida e a relação com o mar Na cultura budista, a prática do Kuyō permite que famílias homenageiem entes queridos falecidos por meio de altares e orações. Como o corpo de Yuko nunca foi recuperado, os mergulhos se transformaram no altar particular de Takamatsu para manter a conexão com a companheira.

“Depois de mergulhar tantas vezes, comecei a sentir que ela talvez estivesse por perto”, diz Takamatsu. “É um pouco diferente de visitar um túmulo, porque ela não está em um. Para mim, é mais como ir ao encontro dela.”

Mesmo enfrentando a tristeza ao deparar-se com os destroços no fundo do oceano, onde pensa consolar-se com a certeza de que “Ela não teria conseguido voltar à superfície no meio de tudo isso”, ele não nutre ressentimentos pelo mar, destacando que a mesma água fornece alimentos e paisagens belas.

Transformação e memória Crescido na região costeira de Tohoku, onde desastres naturais fazem parte da realidade histórica, Takamatsu hoje enxerga os escombros submersos como parte da dinâmica natural, observando carros amassados transformados em abrigos para a vida marina e peixes circulando por estruturas metálicas.

Apesar da dor que persiste após quinze anos e mais de 760 mergulhos, a memória de Yuko permanece viva no humor afetuoso com que ele imagina um reencontro, convictos de que ela provavelmente diria: “Você envelheceu”, e na certeza de que continuará voltando ao mar para se sentir perto dela.

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